Policiais estiveram na unidade básica de saúde ontem. Segundo a Polícia Civil, o caso será investigado
A aposentada Rita Lopes Feitosa, de 67 anos, morreu, ontem pela manhã, dentro do Centro de Saúde da Família Vicentina Campos, no Parque Dois Irmãos. Ela havia chegado cedo ao local para vacinar a filha contra o vírus H1N1, mas, por volta das 7h30, passou mal e caiu do banco de onde estava sentada.
Naquele momento, o posto de saúde estava superlotado e não havia médico no local. Apenas duas auxiliares de enfermagem e um vigia estavam na unidade. Segundo a enfermeira Socorro Veras, as auxiliares de enfermagem prestaram o primeiro atendimento à aposentada. "Elas foram orientadas por um médico, por telefone, sobre que tipo de primeiros socorros deveriam prestar àquela paciente".
Revolta
Mesmo assim, Rita faleceu e foi colocada dentro de uma sala, ao lado da unidade de vacinação. Lá, o corpo permaneceu durante várias horas, cercado por familiares. Do lado de fora, a revolta dos usuários do posto de saúde era cada vez maior. A doméstica Roselena Oliveira de Sousa, que frequenta o local há pelo menos dez anos, reclamou muito do atendimento.
"É péssimo, os funcionários nos recebem mal e são ignorantes com a população. Minha filha está com uma ferida no útero e há dias pego sol e chuva desde a madrugada para tentar pegar uma senha. Infelizmente, não tenho opção. Aqui é o local mais próximo de casa e não temos condição de ir para outro lugar mais distante", lamentou a empregada doméstica.
Ana Raquel Valente Alves, que aguardava atendimento, também criticou. "Este posto recebe gente do Parque Dois Irmãos, do Itaperi, da Rosalina e de outros bairros da Capital. Todo dia está lotado. Precisamos de mais atenção aqui".
O atendimento na unidade é ruim, segundo os pacientes, que relataram também casos de maus-tratos. Eles reclamaram igualmente da superlotação diária. São apenas 20 senhas para cerca de 300 pessoas que procuram atendimento diariamente.
De acordo com os pacientes, os funcionários costumam chegar tarde para atender à população. "Os agentes de saúde chegam 9h30, a coordenadora do posto, só às 10 horas. Fica difícil até ter a quem reclamar", denunciou Roselena.
"As responsáveis pelo posto só vêm trabalhar no dia e na hora que querem. Taí, essa senhora morreu, e até agora não chegou ninguém. Cadê a coordenadora para tomar uma providencia?", questionou a dona-de-casa Rosa Oliveira.
Maria Neuda de Lima também não deixou por menos. "Está com uns cinco ou seis meses que minha filha está numa fila de espera. Estou aqui desde as 7 horas, e ninguém diz o que eu devo fazer, só ´espere e espere´. A gente, por acaso, vai viver o resto da vida esperando"?
Insegurança
A direção do posto alegou que o atendimento só começa uma hora mais tarde por causa da falta de segurança vivida na área. Em razão dos constantes assaltos e do sequestro que aconteceu dentro no posto, a coordenação pediu apoio à Guarda Municipal. Além disso, entrou em acordo com a Secretaria Executiva Regional (SER) VI para que os profissionais de saúde só começassem a trabalhar às 8h, no mesmo horário do guarda que trabalha no posto.
A coordenadora do posto, Creuza Abreu, afirmou que os funcionários - inclusive os quatro médicos daquele posto - costumam iniciar o expediente às 7h30, mas admitiu que não havia médico no local para prestar socorro à aposentada.
Policiais também estiveram no posto de saúde. "Vamos aguardar o resultado do exame cadavérico para saber realmente o que provocou a morte da aposentada. O caso será investigado", disse o inspetor da Polícia Civil, Valdenir de Sousa.
A aposentada Rita Lopes Feitosa, de 67 anos, morreu, ontem pela manhã, dentro do Centro de Saúde da Família Vicentina Campos, no Parque Dois Irmãos. Ela havia chegado cedo ao local para vacinar a filha contra o vírus H1N1, mas, por volta das 7h30, passou mal e caiu do banco de onde estava sentada.
Naquele momento, o posto de saúde estava superlotado e não havia médico no local. Apenas duas auxiliares de enfermagem e um vigia estavam na unidade. Segundo a enfermeira Socorro Veras, as auxiliares de enfermagem prestaram o primeiro atendimento à aposentada. "Elas foram orientadas por um médico, por telefone, sobre que tipo de primeiros socorros deveriam prestar àquela paciente".
Revolta
Mesmo assim, Rita faleceu e foi colocada dentro de uma sala, ao lado da unidade de vacinação. Lá, o corpo permaneceu durante várias horas, cercado por familiares. Do lado de fora, a revolta dos usuários do posto de saúde era cada vez maior. A doméstica Roselena Oliveira de Sousa, que frequenta o local há pelo menos dez anos, reclamou muito do atendimento.
"É péssimo, os funcionários nos recebem mal e são ignorantes com a população. Minha filha está com uma ferida no útero e há dias pego sol e chuva desde a madrugada para tentar pegar uma senha. Infelizmente, não tenho opção. Aqui é o local mais próximo de casa e não temos condição de ir para outro lugar mais distante", lamentou a empregada doméstica.
Ana Raquel Valente Alves, que aguardava atendimento, também criticou. "Este posto recebe gente do Parque Dois Irmãos, do Itaperi, da Rosalina e de outros bairros da Capital. Todo dia está lotado. Precisamos de mais atenção aqui".
O atendimento na unidade é ruim, segundo os pacientes, que relataram também casos de maus-tratos. Eles reclamaram igualmente da superlotação diária. São apenas 20 senhas para cerca de 300 pessoas que procuram atendimento diariamente.
De acordo com os pacientes, os funcionários costumam chegar tarde para atender à população. "Os agentes de saúde chegam 9h30, a coordenadora do posto, só às 10 horas. Fica difícil até ter a quem reclamar", denunciou Roselena.
"As responsáveis pelo posto só vêm trabalhar no dia e na hora que querem. Taí, essa senhora morreu, e até agora não chegou ninguém. Cadê a coordenadora para tomar uma providencia?", questionou a dona-de-casa Rosa Oliveira.
Maria Neuda de Lima também não deixou por menos. "Está com uns cinco ou seis meses que minha filha está numa fila de espera. Estou aqui desde as 7 horas, e ninguém diz o que eu devo fazer, só ´espere e espere´. A gente, por acaso, vai viver o resto da vida esperando"?
Insegurança
A direção do posto alegou que o atendimento só começa uma hora mais tarde por causa da falta de segurança vivida na área. Em razão dos constantes assaltos e do sequestro que aconteceu dentro no posto, a coordenação pediu apoio à Guarda Municipal. Além disso, entrou em acordo com a Secretaria Executiva Regional (SER) VI para que os profissionais de saúde só começassem a trabalhar às 8h, no mesmo horário do guarda que trabalha no posto.
A coordenadora do posto, Creuza Abreu, afirmou que os funcionários - inclusive os quatro médicos daquele posto - costumam iniciar o expediente às 7h30, mas admitiu que não havia médico no local para prestar socorro à aposentada.
Policiais também estiveram no posto de saúde. "Vamos aguardar o resultado do exame cadavérico para saber realmente o que provocou a morte da aposentada. O caso será investigado", disse o inspetor da Polícia Civil, Valdenir de Sousa.
NATHÁLIA LOBO E LINA MOSCOSO
REPÓRTERES
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