16 de abril de 2010

Menino de 12 anos mata amigo com tiro acidental

Garoto de 12 anos de idade atirou contra a cabeça do colega de 13 anos, após acreditar que arma estaria descarregada. Havia uma bala na pistola

O silêncio habitual das manhãs da rua Quatro de Janeiro, no bairro Cristo Redentor, é rompido por um estrondo. Gritos de desespero vindos da residência mais vistosa do quarteirão apressam os passos daqueles que procuram sair de suas casas para conferir o que, até então, muitos acreditavam ser a explosão de um transformador de energia elétrica.
O portão preto da residência duplex é escancarado, como quem rompe as águas em busca de ar. O menino de 11 anos chora copiosamente à procura de ajuda para o irmão de 13 anos, que acabara de ser atingido na cabeça por um tiro acidental de pistola 380, disparado por um amigo. Em poucos segundos, a modesta rua está tomada por uma multidão, testemunhas de uma tragédia que prediz o fim de uma forte amizade de quatro anos entre dois garotos.
O relato foi de vizinhos do filho de um escrivão da Polícia Civil, de 12 anos de idade, que ontem matou o amigo José Rômulo Freitas Alves, 13, quando mostrava à vítima e ao seu irmão a pistola 380, que o pai costumava guardar em um móvel do quarto. Os dois irmãos haviam sido convidados pelo filho do policial para brincar na Internet, por volta das 9 horas, após os três serem liberados pela escola, que realiza a semana de provas.
De acordo com a Polícia, o filho do policial acreditava que a pistola estaria descarregada, pois o pente de balas não estava na arma. ``Mas havia uma bala na agulha (câmara)``, revelou o delegado Barbosa Filho, titular do 7º Distrito (Carlito Pamplona), que ficará responsável pelo inquérito que irá apurar a responsabilidade do pai do autor do disparo. Já o estudante foi conduzido à Delegacia da Criança e do Adolescente (Presidente Kennedy), prestou esclarecimentos e foi liberado por ter se apresentado espontaneamente.

Acidente
Segundo ainda os vizinhos, o garoto deixou a residência para prestar depoimento na DCA bastante abalado. Ele somente teria repetido algumas vezes que o tiro teria sido um acidente. De acordo com o titular do 7º Distrito, o escrivão (pai do garoto) não conseguiu prestar um depoimento satisfatório porque teve uma crise de choro e será chamado para novo depoimento.
Já os pais de José Rômulo tiveram que ser amparados por familiares e amigos. O pai trabalha em uma transportadora e a mãe é vendedora de loja. Na casa da família, a mãe entrou em choque, apesar de medicada à base de calmantes.

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