17 de abril de 2010

Juiz diz que não errou ao libertar maníaco

O juiz disse que o réu já tinha direito ao regime aberto em dezembro passado, pois cumpriu um sexto da pena

Brasília O juiz da Vara de Execuções Criminais do Distrito Federal Luís Carlos de Miranda defendeu, em entrevista à imprensa, sua decisão de conceder liberdade ao pedreiro Adimar Jesus - que estava preso por crimes sexuais contra duas crianças e, após ser libertado, confessou ter molestado e assassinado outros seis jovens de Luziânia (GO).
Miranda afirmou que o réu já tinha direito ao regime aberto em dezembro passado, pois havia cumprido mais de um sexto da pena de mais de 10 anos à qual foi condenado. O juiz esclareceu que laudos psicológicos e psiquiátricos atestaram que Adimar não tinha doença mental, não precisava tomar remédios controlados e que tinha bom comportamento na prisão.
Miranda considerou uma "tragédia" o que aconteceu. Mas disse que a culpa não era dele, e sim do réu. O juiz também culpou a legislação, que permite esse benefício mesmo para criminosos perigosos, e a falta de um sistema nacional de mandados de prisão.
Como havia ordem de prisão contra o réu na Bahia, em tese, ele não poderia ter sido solto.
"Eu não posso mexer na lei. Mesmo sabendo que há risco de reincidência (do criminoso), eu não posso deixar de cumprir a lei", disse o juiz.
Apesar de não se arrepender do despacho, Miranda disse compreender a revolta e a dor da família. "Imagine o que é uma mãe ver o filho sair e não voltar? Isso abala qualquer um. Não tem como não se comover com as famílias. O sofrimento é esperado. Quem conheceu as crianças e perdeu dessa forma. Isso tem que ser respeitado. Estão no direito deles dentro da dor que sofrem", afirmou.
O juiz defendeu-se das acusações feitas por colegas e parlamentares de que ele havia sido irresponsável ao soltar Adimar: " Qualquer juiz que tivesse recebido esse processo teria decidido da mesma forma. Não admito que autoridades que deveriam se portar com equidistância venham denegrir minha imagem e falar do que não sabem. Os laudos (médicos) não dizem que ele deveria ficar preso", disse.
De acordo com o juiz, o Ministério Público atestou, em 10 novembro de 2009, que ele teria direito a progressão para regime aberto.

Fique por dentro
Réu-confesso


O pedreiro Admar de Jesus, 40 anos, foi detido em 2005, e condenado a 14 anos de prisão por abusar de dois adolescentes, mas conseguiu a progressão de pena em 23 de dezembro de 2009. Os primeiros crimes em Goiás ocorreram dias depois. Nos primeiros depoimentos, o pedreiro havia declarado que oferecia dinheiro aos jovens para que eles o auxiliassem na construção civil. Na fazenda, os estuprava e matava.

Nenhum comentário: