26 de abril de 2010

Definição sobre Ciro abre novo momento da eleição no Ceará

A reunião de amanhã entre membros da direçãoo nacional do PSB para decidir a manutenção ou não da candidatura de Ciro Gomes à Presidência será a senha para Cid entrar no debate sobre as eleições locais

Diante da iminente retirada do nome do deputado federal Ciro Gomes (PSB) da corrida pela Presidência da República, o personagem central para as definições do cenário político estadual deverá, enfim, entrar em campo: o governador Cid Gomes (PSB). Sempre relutante em comentar sobre os impasses que ainda atravancam a formação da aliança em torno de sua provável candidatura à reeleição, ele não terá mais como adiar o posicionamento sobre duas questões cruciais: a segunda vaga para o Senado e a vaga de vice na sua chapa. Perpassando essas decisões, a manutenção de PT e PSDB em seu palanque, que estará umbilicalmente ligada à postura diante da disputa pela Presidência.
Até então, Cid se esquivava de fazer comentários, argumentando que, pelo fato de o governador ser irmão de um dos presidenciáveis, a sucessão local era mais afetada que qualquer outra pelas intempéries nacionais.
Quando o assunto é a disputa pelas duas vagas no Senado, até o momento ele só garantiu apoio a um nome: o do deputado federal Eunício Oliveira (PMDB). Suas bênçãos para a segunda vaga são cobiçadas pelo ex-ministro José Pimentel (PT) e pelo senador Tasso Jereissati (PSDB).
O argumento do PT para lançar um nome ao Senado é de que existe uma estratégia nacional para reforçar a presença na Casa que mais causou dores de cabeça ao presidente Lula. Para Cid, entretanto, será difícil ceder a esse anseio, diante da relação com Tasso, que ultrapassa o campo político - o governador até já afirmou que o tucano é o maior político cearense vivo.
Outra ambição do PT é emplacar, pela segunda vez, o nome do vice na chapa de Cid. Até o momento, três petistas disputam o posto: Francisco Pinheiro & que ocupa atualmente o cargo -, Waldemir Catanho & que tem o apoio da prefeita Luizianne Lins (PT) -, e Joaquim Cartaxo & nome defendido pelo deputado federal José Guimarães (PT).
Com a retirada de Ciro da disputa presidencial, contudo, o PT do Ceará poderá ficar sem forças para exigir esses dois espaços. O governador, afinal, terá respaldo maior para realizar a costura política que bem entender, uma vez que o PT nacional estará deveras satisfeito.
"Se sacrificar a candidatura do Ciro, o Cid vai ter liberdade para fazer o que quiser aqui. Quem sabe até lançar Tasso (Jereissati) e (José) Pimentel ao Senado?", disse um aliado dos Ferreira Gomes, lembrando que neste caso, a vaga de vice-governador na aliança & hoje pertencente ao PT & ficaria com o PMDB.
Sobre a posição de Cid em relação ao palanque nacional, aliados acreditam que, com a saída de seu irmão da disputa, a tendência é de que ele apoie a candidatura da petista Dilma Rousseff. ``Ciro não sendo candidato, naturalmente Cid vai apoiar a ex-ministra Dilma``, afirma o deputado Eunício Oliveira, que esteve ontem ao lado do governador durante a inauguração de obras no Interior.

Campanha nacional
E será exatamente o nível de empenho do governador na campanha da ex-ministra que irá definir se PT e PSDB continuarão firmes ao seu lado. Já incomodado com a pressão petista contra a candidatura de Ciro, há quem aposte que Cid poderá fazer ``corpo mole``, para não desagradar a sigla tucana, que apoia José Serra (PSDB). A questão é como o PT reagiria à eventual falta de engajamento doaliado naquela que é sua prioridade número um.
(colaborou Giselle Dutra - giselledutra@opovo.com.br)

Nenhum comentário: