22 de abril de 2010

Cirurgiões param hoje e amanhã

Pagamento pelos parâmetros da CBHPM reajustaria valor das cirurgias em 189%, diz provedor da Santa Casa

Hoje e amanhã, cerca de 90 médicos cirurgiões da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza voltam a paralisar suas atividades, conforme deliberou assembleia geral da categoria, realizada na noite da última segunda-feira, na sede do Sindicato dos Médicos (Simec). Os cirurgiões reivindicam que seus honorários sejam pagos de acordo com a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimento Médicos (CBHPM) com redutor de 40% e não por meio da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), como acontece hoje.
"A tabela do SUS remunera muito mal", explicou, no início da noite ontem, o diretor tesoureiro do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) e cirurgião da Santa Casa, Tarcísio Dias, adiantando que há mais de dois anos os anestesistas da Santa Casa recebem pela CBHPM. "Enquanto o pagamento do profissional por uma cirurgia da tireoide, por exemplo, fica em apenas R$ 70,00, o anestesista é remunerado com R$ 203,00", observou, afirmando, ainda, haver uma grande distorção entre a tabela do SUS e CBHPM.
Na rede privada, lembra Tarcísio Dias, um anestesista recebe por seus procedimentos 30% do valor pago ao cirurgião. Várias reuniões já foram realizadas com os secretários de Saúde do Estado e do Município, respectivamente Arruda Bastos e Alexandre Mont´Alverne, mas até agora a questão não foi resolvida, informou o diretor do sindicato, ratificando ser inaceitável ao cirurgião continuar recebendo pelo tabela do Sistema Único de Saúde.
Segundo o Simec, durante os dias de paralisação não serão realizadas as cirurgias eletivas nem o atendimento ambulatorial. Os cirurgiões da Santa Casa fazem 40 cirurgias por dia e cerca de 400 atendimentos ambulatoriais. Nova assembleia para avaliar o movimento está marcada para o próximo dia 26.
A Santa Casa é uma instituição filantrópica que recebe doações e mantém convênios com o Estado e o Município. Ontem, o provedor, Luiz Marques, disse que os cirurgiões são pagos pelo SUS por meio da Prefeitura e que, embora admita que os valores pagos pelos procedimentos "sejam aviltantes", alertou que uma paralisação prejudicará a população carente que busca os serviços da unidade.

PROCEDIMENTOS
40 cirurgias
são realizadas por dia na Santa Casa de Misericórdia. Já os atendimentos ambulatoriais diários ficam em torno de 400

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