Um almoço com "clima familiar" foi oferecido ao papa, que afirmou que a Igreja é "pecadora ferida"
Roma. O papa Bento XVI completou, ontem, cinco anos como líder de 1,1 bilhão de católicos e disse que sua Igreja é uma "pecadora ferida", dividida entre as perseguições do mundo e o conforto de Deus.
O pontífice alemão, que fez 83 anos na última sexta-feira, fez um discurso em tom reflexivo em agradecimento durante um almoço fechado com 46 cardeais no Vaticano pelo apoio deles num momento difícil, de acordo com o jornal oficial L´Osservatore Romano.
Bento XVI participou de um almoço após ter retornado de uma viagem no fim de semana a Malta, onde encontrou-se com oito vítimas de abuso sexual por parte de padres - um escândalo que vem abalando a Igreja.
"O pontífice aludiu aos pecados da Igreja, chamando-a de pecadora ferida, que tem recebido todo o conforto de Deus", disse o L´Osservatore Romano sobre o discurso do almoço.
O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Walter Kasper, revelou que o almoço oferecido ao papa foi marcado por uma "atmosfera muito familiar". Ao todo, 47 cardeais participaram do almoço, além de alguns representantes dos decastéreos. Por outro lado, cardeais de outros países não conseguiram chegar ao encontro, já que ficaram impedidos de viajar por conta da erupção de um vulcão islandês, que provocou há cinco dias o fechamento do espaço aéreo de parte da Europa.
No entorno da Praça São Pedro, onde as barracas de lembrancinhas ainda continuam oferecendo mais artigos referentes ao papa anterior, João Paulo 2o, do que de seu sucessor, peregrinos católicos expressaram preocupação mesmo quando demonstrando apoio a Bento XVI.
"Os últimos anos não têm sido fáceis", disse Marco Bosco, da Espanha. "O desafio é ver que tudo o que aconteceu este ano seja resolvido. Nós confiamos que o papa Bento XVI fará isso", afirmou Bosco.
O então cardeal alemão Joseph Ratzinger surpreendeu o mundo após sua eleição em 19 de abril de 2005, com uma aproximação suave que contrastava com sua feroz reputação como responsável do Vaticano pela observância da doutrina da Igreja. Em seu primeiro discurso, ele prometeu continuar o caminho de seu popular antecessor, o papa João Paulo II, e reforçar a unidade da cristandade e as relações com outras religiões.
Mas desde a nomeação seu papado tem sido marcado por sucessivas controvérsias, várias delas com outras religiões, e por um padrão de má comunicação que frequentemente coloca mais lenha na fogueira.
A recente onda de alegações de abusos sexuais de crianças por parte de padres, algumas remontando a décadas, é o último nessa série de problemas. Começou na Irlanda e se espalhou este ano pela Alemanha, Áustria, Holanda e outros países europeus.
Bento XVI foi mais longe do que qualquer papa na condenação dos abusos, se encontrando com vítimas e fazendo chamados aos bispos para que trabalhem com a polícia, mas sua relutância em adotar medidas mais duras - tais como aposentar bispos que protegeram padres pedófilos - desaponta seus críticos.
O presidente de Malta, George Abela, indicou ser necessário fazer mais, ao dizer ao papa, em sua chegada ao país, que deve ser assegurado que "não somente seja feita justiça, mas que se veja que ela foi feita".
Roma. O papa Bento XVI completou, ontem, cinco anos como líder de 1,1 bilhão de católicos e disse que sua Igreja é uma "pecadora ferida", dividida entre as perseguições do mundo e o conforto de Deus.
O pontífice alemão, que fez 83 anos na última sexta-feira, fez um discurso em tom reflexivo em agradecimento durante um almoço fechado com 46 cardeais no Vaticano pelo apoio deles num momento difícil, de acordo com o jornal oficial L´Osservatore Romano.
Bento XVI participou de um almoço após ter retornado de uma viagem no fim de semana a Malta, onde encontrou-se com oito vítimas de abuso sexual por parte de padres - um escândalo que vem abalando a Igreja.
"O pontífice aludiu aos pecados da Igreja, chamando-a de pecadora ferida, que tem recebido todo o conforto de Deus", disse o L´Osservatore Romano sobre o discurso do almoço.
O presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Walter Kasper, revelou que o almoço oferecido ao papa foi marcado por uma "atmosfera muito familiar". Ao todo, 47 cardeais participaram do almoço, além de alguns representantes dos decastéreos. Por outro lado, cardeais de outros países não conseguiram chegar ao encontro, já que ficaram impedidos de viajar por conta da erupção de um vulcão islandês, que provocou há cinco dias o fechamento do espaço aéreo de parte da Europa.
No entorno da Praça São Pedro, onde as barracas de lembrancinhas ainda continuam oferecendo mais artigos referentes ao papa anterior, João Paulo 2o, do que de seu sucessor, peregrinos católicos expressaram preocupação mesmo quando demonstrando apoio a Bento XVI.
"Os últimos anos não têm sido fáceis", disse Marco Bosco, da Espanha. "O desafio é ver que tudo o que aconteceu este ano seja resolvido. Nós confiamos que o papa Bento XVI fará isso", afirmou Bosco.
O então cardeal alemão Joseph Ratzinger surpreendeu o mundo após sua eleição em 19 de abril de 2005, com uma aproximação suave que contrastava com sua feroz reputação como responsável do Vaticano pela observância da doutrina da Igreja. Em seu primeiro discurso, ele prometeu continuar o caminho de seu popular antecessor, o papa João Paulo II, e reforçar a unidade da cristandade e as relações com outras religiões.
Mas desde a nomeação seu papado tem sido marcado por sucessivas controvérsias, várias delas com outras religiões, e por um padrão de má comunicação que frequentemente coloca mais lenha na fogueira.
A recente onda de alegações de abusos sexuais de crianças por parte de padres, algumas remontando a décadas, é o último nessa série de problemas. Começou na Irlanda e se espalhou este ano pela Alemanha, Áustria, Holanda e outros países europeus.
Bento XVI foi mais longe do que qualquer papa na condenação dos abusos, se encontrando com vítimas e fazendo chamados aos bispos para que trabalhem com a polícia, mas sua relutância em adotar medidas mais duras - tais como aposentar bispos que protegeram padres pedófilos - desaponta seus críticos.
O presidente de Malta, George Abela, indicou ser necessário fazer mais, ao dizer ao papa, em sua chegada ao país, que deve ser assegurado que "não somente seja feita justiça, mas que se veja que ela foi feita".
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