13 de abril de 2010

Ambulâncias são transformadas em ´topiques´

Numa única transferência entre os hospitais, quatro pacientes disputaram espaço no veículo

Seria hilariante se não fosse trágico. Ambulâncias que saem do Instituto Dr. José Frota (IJF) se transformam em verdadeiras "topiques", ao transportar até seis pacientes de uma só vez do Frotão para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Problemas dessa natureza passaram a acontecer depois que um curto-circuito ocasionou um princípio de incêndio, há uma semana, na maior unidade hospitalar de emergência do Estado.
"Até em tom de brincadeira, dissemos, quando avistamos mais uma ambulância chegando no plantão do último fim de semana: lá vem mais uma topique do IJF", contou a enfermeira Melânia Albuquerque. De acordo com ela, vários foram os casos registrados.
"Trabalho aqui há cinco meses e nunca tinha visto nada igual, nem mesmo em outras ocasiões. Ainda bem que conseguimos atender a todos normalmente", assegurou Melânia.

Cinco de uma só vez
A reportagem conversou com uma turma de "usuários" de uma "ambulância-topique". Na madrugada de ontem, desembarcaram no HGF cinco pessoas numa mesma viatura. Dessas, apenas uma era acompanhante.
Um dos pacientes era o desempregado Edmilson Júnior Evangelista, que foi agredido com uma chave de fenda no peito numa briga de rua, no Centro. Geová Evandro Barreto foi outro integrante da "caravana" que não perdeu o bom humor. O estudante, que reside na Rua Abel Garcia, na Vila União, confessa que bebeu algumas cervejas além da conta e acabou se dando mal. "Estava em casa sozinho tomando umas e outras quando me chamaram. Ia descendo as escadas, caí de uma altura de três metros e me arrebentei todo", relatou a vítima, com um olho bastante inchado.
Os resultados da imprudência foram uma série de hematomas pelo corpo e uma forte pancada na cabeça. "Achei estranho vir todo mundo numa viagem só. A explicação é que não havia condição de atendimento no Frotão", explicou Geová Evandro Barreto, que já havia sido submetido a uma tomografia e a vários exames de raio-x.
O caso mais grave foi o de Dimas Márcio Souza Rodrigues, que levou um tiro de espingarda no município de Tejuçuoca. Dimas foi atendido primeiramente no hospital municipal da sua cidade, e estava acompanhado do amigo Francisco Borges Teixeira Filho.
Apesar do tiro, Francisco seguiu do IJF até o HGF sentado, pois "não tinha vaga" para ir deitado. "Foi o jeito, já que necessitava de atendimento e não iria esperar por outra ambulância", contou.
O quarto paciente era José Wilame Lemos Araújo, que levou uma "capacetada" no rosto durante uma briga no Centro. "Peguei alguns pontos e vim fazer um raio-x aqui no HGF. Foi a primeira vez que entrei numa ambulância acompanhado de outras pessoas que necessitavam de atendimento".
De acordo com o balanço divulgado pelo HGF, de sábado à noite até as 7h da manhã de ontem, foram realizadas 31 tomografias somente em pacientes trazidos do Frotão. Com mais 49 de outros locais, chegou-se a marca de 80. A média do Hospital Geral, no mesmo espaço de tempo, é de apenas 30 tomografias.

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