31 de março de 2010

PAC 2 é marmita requentada, diz Marina Silva

Segundo ela, algumas obras do PAC 'não ligam lé com cré' e têm caráter político eleitoreiro. Declaração da pré-candidata foi dada em entrevista no Recife

A pré-candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva, criticou nesta terça-feira, 30, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em entrevista coletiva, no Recife, por considerá-lo "não um programa, mas uma colagem de obras".
Em crítica à segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), lançada na última segunda-feira, 29, em Brasília, Marina disse que "Muitas obras (do PAC 2) estão repetidas. Tem alguma coisa nessa marmita que está requentada", disse Marina.
"O PAC é uma gerência de uma colagem de um conjunto de obras", mesmo que algumas delas sejam importantes e necessárias. "O que temos ali é um gerenciamento dessas obras, para ver como estão os recursos, para ver como está o licenciamento, o projeto de viabilidade econômica e técnica", afirmou.
"Minha crítica ao PAC é que ele precisa se transformar em um programa." E um programa voltado para a infraestrutura, segundo ela, terá de ser algo mais abrangente, com coerência interna e externa, em que se pensa a necessidade da infraestrutura para o País de acordo com a dinâmica de crescimento que o Brasil terá para os próximos 5, 20, 30 anos.
Ela reforçou que nem sempre o anunciado é realizado. Algumas obras, destacou, "não ligam lé com cré" e têm caráter político eleitoreiro. Exemplificou com a BR-319, no Pará, onde se quer gastar bilhões com 400 quilômetros dentro de floresta virgem, com a justificativa de que é para as pessoas poderem ir de carro de Manaus para Rondônia. "Seria mais inteligente subsidiar passagens de avião para as pessoas irem para Manaus ou Rondônia", defendeu.
A pré-candidata observou que a tentativa de transformar a campanha presidencial em uma discussão plebiscitária ou numa disputa de currículos "avilta o Brasil". Defendeu que o País não precisa de um gerente.
Na sua avaliação, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não eram "gerentões" e, por isso, conseguiram avanços. O primeiro na estabilidade da economia e o segundo, conseguindo crescimento com avanço social. "Quando se tem visão, se estabelece o processo correto, se consegue as melhores pessoas para criar estruturas e colocá-las de pé."

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