16 de março de 2010

Entrevista de Ciro azeda de vez relação com o PT de São Paulo

Em entrevista, o deputado do PSB disse que o PT de São Paulo é "um desastre" e afirmou que a hipótese de que saia candidato ao governo paulista é "artificial". PT no Estado reagiu, cobrou retratação e uma reunião agendada para esta semana foi cancelada. Partido mergulhou de vez na defesa da candidatura de Mercadante


Após meses de negociações, terminou o namoro entre o PT de São Paulo e o deputado estadual Ciro Gomes (PSB-SP), que poderia terminar na candidatura do parlamentar à sucessão do governo paulista. Bastou Ciro chamar o PT em São Paulo de ``um desastre``, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, para o partido encampar de vez o nome do senador Aloizio Mercadante (PT) para liderar uma frente de oposição que tentará tirar do poder o PSDB, há quinze anos no comando do governo paulista. ``É o nome do senador Mercadante que emerge nesse momento``, admitiu Edinho Silva, presidente do PT no Estado de São Paulo.
Edinho afirmou que ainda aguarda uma retratação, ou mesmo a confirmação, do que chamou de ``declaração agressiva e sem sentido`` feita por Ciro. ``Não faz sentido uma declaração agressiva como essa, justamente quando construímos um processo alternativo para São Paulo, do qual ele era o líder e um nome apoiado pelo PT``, disse o presidente do partido. ``Se ele quisesse por fim ao processo, poderia nos procurar que aceitaríamos sem problemas, mas, sem uma retificação, (o processo) chegou ao final``, completou.
As críticas de Ciro ao PT e à possibilidade de sua candidatura ao governo paulista - chamada de artificial pelo deputado - acabaram ainda com um encontro, previsto para esta semana, no qual os partidos de oposição ao PSDB em São Paulo tentariam convencê-lo a aceitar a disputa. Ciro era esperado para uma reunião com todos os partidos da frente, formada, por enquanto, com PT, PSB, PDT, PCdoB, PTC, PRB, PSC e PTN, com possibilidade de adesão de PHS e PR.
Mesmo com as críticas de Ciro, que ainda sugeriu o nome do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, como candidato ao governo paulista pelo PSB, o PT paulista preferiu, ao menos por enquanto, não atacar o deputado. ``Queremos deixar claro que não iremos travar disputa com o Ciro, um aliado importante e pelo qual o PT tem respeito; nosso debate é com a oposição`` afirmou Edinho. Mas, quando indagado se as relações entre PT e PSB poderiam ficar estremecidas, o presidente do PT paulista já não foi tão direto. ``Espero que não``.



(da Agência Estado)

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