8 de março de 2010

Comoção e revolta no sepultamento do policial

Muita emoção e revolta. Foi assim que familiares e policiais se manifestaram no enterro de José Célio Leite Lima

O policial civil da Delegacia de Narcóticos, José Célio Leite Lima, 43 anos, foi enterrado, por volta das 10 horas de ontem, no cemitério Parque da Saudade em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Em prantos, a mulher e um dos três filhos comoveram os presentes, pelo profundo sentimento de perda do companheiro e pai, respectivamente. Enquanto isso, policiais civis se deslocaram para um lugar mais afastado do jazigo, sacaram suas pistolas e efetuaram diversos disparos.
José Célio morreu na madrugada de sábado (6), quando vinha com amigos em seu carro, um Golf, de um pagode. Na Avenida Dr. Themberg - no Álvaro Weyne - foi surpreendido por dois homens em uma moto vermelha. Enquanto os veículos estiveram emparelhados, foram efetuados três disparos. Um atingiu o tórax do policial.
Ontem, reforçaram-se as suspeitas de que o crime teve relação com a atividade policial de José Célio, com grande atuação na apreensão de drogas e prisões de chefes do tráfico. O sepultamento instigou delegados e outros profissionais da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) a discutir a precariedade da Polícia Civil no combate ao narcotráfico.
O delegado de Cumbuco, César Wagner, que já foi titular da Denarc, lembrou o trabalho "ínfimo da Polícia Civil", no combate aos traficantes de drogas, diante de uma grande demanda. "Não resta dúvida de que houve uma execução".
Também em tom emocionado e revoltado, o inspetor Alberto Júnior disse que o colega morto deve ser sempre lembrado como exemplo de homem que não se corrompeu. "Ele nunca abriu para bandido e assim continuaremos atuando".
O ato ocorrido no cemitério Parque da Saudade também foi ocasião para se refletir sobre ausências de nomes do alto escalão da Segurança, e, especialmente, da Polícia Civil. Foram sentidas as ausências do titular da SSPDS, Roberto Monteiro, do superintendente da Polícia Civil, Luis Carlos Dantas, e de seu adjunto, Erivaldo Lima.

Delegados falam sobre o crime
"Trabalhei com o Célio que se revelou um homem de muita coragem e disposição. Trata-se de um crime de encomenda, em que houve um mandante e logística para a realização do crime"

Wilder Brito
delegado titular da DRF

"Todas as possibilidades que levam aos autores do crimes serão avaliadas. Agora, praticamente descartamos uma tentativa de assalto. O inquérito policial deve ser concluído em 30 dias"

Jairo Pequeno
diretor do DPM


MARCUS PEIXOTO
REPÓRTER

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