17 de março de 2010

ABUSO SEXUAL NA IGREJA - Vaticano: há casos no Brasil

Santa Sé reconhece casos de assédio sexual envolvendo padres brasileiros; acusados foram suspensos

Roma. O Vaticano reconheceu, ontem, que existem casos de abuso sexual de crianças cometidos por sacerdotes no Brasil e afirmou que os responsáveis não eram bispos, mas sim padres, indicou o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.
Lombardi se pronunciou sobre denúncias feitas por um site brasileiro, após um programa de televisão ter mostrado matéria em que vários alunos relatam casos de abusos sexuais por parte de "dois monsenhores e um sacerdote".
O porta-voz do Vaticano reconheceu que dois dos três religiosos citados possuíam o título honorífico de "monsenhor", embora fossem padres. Embora normalmente o título de monsenhor seja atribuído aos bispos, ele também pode ser conferido como título honorário a simples sacerdotes que exercem determinados ofícios eclesiásticos.
"Foi confirmado que nenhum dos três envolvidos era bispo. Um deles foi afastado da paróquia e será julgado pela justiça civil", disse Lombardi. "Os outros dois foram suspensos de suas tarefas eclesiásticas e estão sendo submetidos a um processo canônico por suspeita de pedofilia, mas até agora negam tudo", acrescentou.
O site brasileiro informou que a Igreja brasileira afastou no fim de semana passado das funções eclesiásticas "dois monsenhores e um padre" do município de Arapiraca, a 130 Km de Maceió (AL), depois de terem sido acusados de pedofilia por alunos de um coro.
Os religiosos devem responder a um inquérito policial por conta de denúncias feitas por ex-coristas e familiares das supostas vítimas. O caso explodiu no último dia 11 de março, quando uma repórter entrevistou várias supostas vítimas que relataram casos de abusos sexuais cometidos pelos sacerdotes com crianças e adolescentes.
Um vídeo mostra um dos dois "monsenhores", Luiz Marques Barbosa, 82, tendo relações sexuais com um jovem de 19 anos. A gravação foi feita em janeiro de 2009 por outro jovem que sofreu abusos. O rapaz contou que, desde os 12 anos, era alvo de assédio. O advogado de Marques afirmou que as relações sexuais filmadas foram consentidas. Ele também negou que se tratasse de pedofilia.

Fonte - DN

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