Menos de 48 depois após a tentativa de assalto que resultou na morte de Marcela Montenegro, a área que fica entre Cidade 2000 e Dunas assistiu a novo crime
Mais uma vez, a Polícia não estava lá. Dois dias após a empresária Marcela Montenegro, de 34 anos, ser baleada no cruzamento das ruas Zuca Accioly com Bento Albuquerque, entre a Cidade 2000 e o bairro Dunas, o publicitário Nazareno Albuquerque, ex-mediador do Debates do POVO, da rádio O POVO/CBN, foi assaltado. O local dos dois crimes é praticamente o mesmo: adjacências da avenida Santos Dumont, nas proximidades das favelas do Pau Fininho e do Gengibre. A morte de Marcela foi confirmada na tarde de ontem.
Nazareno, que não sofreu dano físico, relata o caso. ``Eram três homens, e um estava armado. Atiraram uma pedra e quebraram o vidro traseiro do carro. Eu estava parado. Não sei como conseguiram ver o notebook, que é preto, estava sobre o banco preto numa bolsa preta. Na certa devem ter um motoqueiro, alguém que orienta.``
O POVO esteve no local do crime, que fica perto de um posto de gasolina. Lá, dois policiais do Ronda do Quarteirão abasteciam suas motos. Janderson Nascimento, um dos PMs, afirma haver tomado conhecimento do roubo apenas pela televisão. Janderson integra a patrulha da área da Praia do Futuro II.
ESQUEMA DE SEGURANÇA
> Na rua dos Manguezais: além de ser ponto base de uma viatura, há dois policiais que fazem policiamento a pé na rua Israel Bezerra, que corta a rua dos Manguezais. Também há patrulhamento com motos.
> Na avenida Padre Antônio Tomás: o patrulhamento na área é feito com motos e viaturas. Em alguns trechos, o carro da Polícia fica parado por alguns instantes.
> No Cruzamento das avenidas Raul Barbosa e Murilo Borges: há dois postos de observação com três policiais. Também há patrulhamento móvel.
> Na avenida Santos Dumont: após a empresária Marcela Montenegro ter sido baleada, a segurança foi reforçada. Há três motos a cada cruzamento. Além disso, foram colocadas mais duas viaturas do Batalhão de Choque.
> Em todas as áreas, também há viaturas do Ronda do Quarteirão.
FONTE: Polícia Militar do Ceará
Segundo o policial, também na segunda-feira em que Marcela foi baleada, ele flagrou dois meninos empunhando armas de brinquedo na Santos Dumont. Janderson explica que, ao tomar as armas, viu que tinham sido montadas com canos de plástico pintados de preto. O PM diz que os garotos sequer podiam ser encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). ``Não podia ligar pra DCA e dizer que estava com uma criança segurando um cano.``
Áreas perigosas
A partir de alguns casos, O POVO identifica hoje alguns dos pontos mais vulneráveis da Capital. E constata: o fortalezense parece cada vez mais assustado. Até com reforço no policiamento, ``a sensação de insegurança continua a mesma. Você tem que andar sempre com o vidro fechado``, admite o empresário José Batista Gonçalves. Parado no cruzamento da avenida Raul Barbosa com Murilo Borges, Batista revela: o dia-a-dia passou a integrar também uma prece agoniada. ``A gente tem que sair de casa e rezar sempre para que não aconteça nada``.
É possível enxergar um cinturão de crimes que margeia o Parque do Cocó. Para a advogada Kelly Mota, 26 anos, a rua dos Manguezais, que sai da Pontes Vieira e chega até a Israel Bezerra, deve ser evitada. Mesmo gradeado, o trecho ``ainda é muito perigoso``. Na avenida Padre Antônio Tomás, na altura da Sebastião de Abreu, não é diferente. O segurança particular Cristemberg Paulo da Silva, 23, reclama: ali, ``o policiamento aumentou muito depois de uma série de assaltos, mas, em seguida, diminuiu``.

Nenhum comentário:
Postar um comentário