Prognóstico oficial para os meses de março a maio será divulgado no dia 22, mas ficará abaixo dos 629 milímetros
A chuva de ontem, registrada pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), atingiu 98 dos 184 municípios do Estado. Mesmo assim, por mais que haja precipitações no Interior, a tendência é que, cada vez mais, as chuvas fiquem abaixo da média no Ceará. A previsão oficial com o prognóstico para os meses de março, abril e maio será divulgada somente no dia 22 de fevereiro. No entanto, o meteorologista da Funceme, Eduardo Peixoto, adianta que existe maior tendência para a precipitação ficar abaixo da média de 629 milímetros em todo o Estado, independente de algumas regiões terem mais ou menos precipitações.
A previsão já tinha sido anunciada durante o XII Workshop Internacional de Avaliação Climática para o Semiárido Nordestino, realizado no início do ano em Fortaleza, quando os meteorologistas de diversas instituições nacionais e internacionais informaram que, durante os meses de fevereiro a abril, haveria a possibilidade de 45% de chances de chover abaixo da média histórica na região, incluindo o Ceará; 35% de probabilidades de precipitações em torno da média; e a possibilidade só de 20% de chuvas acima da média.
A explicação para este fenômeno é que o El Niño continua a atuar no Oceano Pacífico e isso provoca o aquecimento dos mares acima do normal, além de alterar o padrão de circulação dos ventos, "fazendo com que o ar desça sobre o Nordeste, formando uma espécie de tampão, impedindo que chova na região. É preciso de um mecanismo que faça com que levante o ar para ocasionar as chuvas", diz. De acordo com Peixoto, o El Niño atrapalha o processo de ocorrência de precipitações no Ceará.
Além disso, o fato de haver a tendência para chuvas abaixo da média implica que as precipitações ocorrem de forma irregular em todo o Estado. Um exemplo é com relação às regiões do Litoral e da Ibiapaba, com maior índice de chuvas; e as regiões delimitadas pelo Sertão Central e Inhamuns, com precipitações mais escassas. "Pode ser que toda a chuva ocorra em apenas três dias", salienta Peixoto, explicando que a intensidade não interfere na quantidade da chuva prevista pela Funceme para a estação.
Os fatores observados para chegar à conclusão de precipitações abaixo da média incluem a observação da temperatura dos oceanos Atlântico e Pacífico, que atualmente encontram-se com um grau menor que o registrado comumente. "Os oceanos demoram a responder à interferência da radiação solar, diferente da temperatura que é mais rápida. Por este motivo, fazemos atualizações diárias com base na temperatura, mas utilizando os dados dos oceanos mensalmente", diz o meteorologista Eduardo Peixoto.
Centro-Sul
Por mais que haja a previsão de pouca chuva no Estado, as precipitações irregulares animam agricultores de diversas cidades do Interior. Cada chuva, mesmo com forte ou fraca intensidades, é suficiente para garantir bons resultados na lavoura.
As duas últimas chuvas, que banharam a região Centro-Sul na segunda-feira passada e ontem renovaram as esperanças dos agricultores para um bom inverno. Na área urbana, os moradores que saíram às ruas nesta quarta-feira tiveram que usar o guarda-chuva. Os escritórios da Ematerce começaram a distribuir sementes de milho, feijão e sorgo para os produtores cadastrados no Programa Hora de Plantar da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado.
A dona-de-casa, Maria Constantino, foi às compras, ontem pela manhã, com a lista dos produtos no bolso e o guarda-chuva na mão. "Tenho que fazer as compras para o almoço, por isso, não podia ficar em casa", contou. No Centro da cidade, os moradores tiveram que se proteger da chuva que banhou a área urbana. Algumas lojas só começaram a funcionar depois das 8h. De acordo com a Ematerce, nesta cidade, em janeiro passado choveu 113 milímetros, e em fevereiro, até ontem, 50 mm.
As duas últimas precipitações, após um veranico que se arrastava desde a segunda quinzena de janeiro passado, trouxe novas expectativas para os agricultores. Muitos produtores rurais já começaram a preparar a terra para o plantio de inverno. A maioria ainda não fez o cultivo dos grãos. Aguarda que o solo tenha maior umidade.
Ontem, foi intenso o movimento no escritório local da Ematerce. Cerca de 200 agricultores receberam sementes de milho, feijão e sorgo. No total, serão atendidos 1.200 produtores. "Vou aguardar um pouco mais para fazer o plantio", disse o agricultor Sebastião Nunes, da localidade de Alencar. Ele pretende cultivar dois hectares de milho e um de feijão.
Chuvas
Jucás 52 mm
Crato 46 mm
Quixelô 43 mm
Orós 36.8 mm
Granja 35.2 mm
Massapê 3 1.2 mm
Fortim 30.6 mm
Iguatu 33 mm
Baturité 26 mm
Cascavel 25 mm
Fortaleza 23.8 mm
Itapiúna 20.4 mm
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