Estrutura do prédio, em Sobra, está comprometida. As colunas de sustentação apresentam oxidação
Sobral. Uma vistoria de rotina no Edifício Alba Carneiro poderá levar o Corpo de Bombeiros a solicitar do Ministério Público Estadual a interdição desse complexo residencial de seis andares. O prédio, situado no Centro da cidade, não tem saídas de emergência, câmara de gás GLP, brigada de incêndio, alarmes e, ainda, falta iluminação nos corredores e na escadarias, bem como não foi apresentado pelos responsáveis o Auto de Verificação de Segurança (AVS). O condomínio tem seis andares e 18 apartamentos. Se somados, são mais de 50 moradores. O prédio foi construído há 29 anos.
"Estamos nesse primeiro momento solicitando às pessoas que deixem seus apartamentos, antes que a Justiça interdite o prédio, que é a nossa intenção", disse o capitão Roberto Moraes, comandante do Corpo de Bombeiros de Sobral.
Sem prazo
Ele acrescenta que não existe ainda um prazo estipulado para que essas pessoas desocupem os apartamentos. "Gostaríamos de ter encontrado o prédio totalmente desocupado, mas algumas pessoas insistem em continuar morando sem levar em conta os riscos que estão sujeitos", disse.
De acordo com o comandante, todos os pilares e colunas de sustentação apresentam oxidação o que compromete a estrutura do prédio. Outra preocupação está relacionada com o elevador, que está parado entre o terceiro e quarto andares, e há perigo de os cabos se romperem a qualquer momento. "Além disso, há infiltração em todos os andares, o elevador está parado há vários anos e qualquer pessoa pode abrir e fechar as portas que dão acesso ao elevador".
Mudança de opinião
A dona de casa Adriana Nadja Leitão trabalha no prédio há mais de dez anos e sempre ouviu da patroa que não tem perigo de desabar. "Agora com a presença de vocês aqui, a minha consciência é outra. Vou tentá-la convencê-la a deixar o prédio imediatamente", disse.
Nadja acrescenta que a situação é mais complicada à noite. "Para a gente se locomover entre um andar e outro temos que utilizar uma lanterna". Ela, a exemplo de outros moradores, promete deixar a residência voluntariamente.
Vivendo no perigo
O capitão Roberto Moraes, adiantou que o relatório sobre as condições do prédio já foi encaminhado ao Ministério Público. Na próxima semana, ele irá procurar a Secretaria da Infraestrutura da cidade, Procuradoria do Município, a Defesa Civil do Estado e, também, o Decon. "Nós vamos tentar convencer as famílias que ainda insistem em continuar morando no Edifício Alba Carneiro e dizer que eles estão vivendo em perigo", salienta ele.
De acordo com o responsável pela vistoria do órgão, sargento Hernandes dos Santos, em todos os lugares há pedaços de metal caindo. Os problemas no prédio começam desde a base da estrutura, até o teto que, praticamente, já desabou, não havendo mais a estrutura de madeira.
Outro ponto observado na vistoria está relacionado aos serviços de água e energia elétrica que são obtidos por meio de gambiarras. "Lá, era para funcionar com regras de um condomínio, mas parece mais uma ocupação popular, uma favela", disse Hernandes.
Laudo técnico
"O Corpo de Bombeiros não pode emitir laudo estrutural, mas, a experiência do serviço habilita a gente a dizer o problema", explica o sargento Hernandes. Segundo ele, o laudo técnico é concedido pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, que deve ser notificado pelo Ministério Público. "O Corpo de Bombeiros solicitou a interdição do prédio e acionou os órgãos competentes para a emissão dos laudos e procedimentos cabíveis", acrescenta.
Entre os moradores que insistem em continuar morando no condomínio, está o aposentado Cristovão Linhares Cunha. Ele mora no apartamento 203 há mais de 12 anos. "Aqui não é meu. Pertence a um parente. Não vejo a necessidade de deixar de morar aqui. Continuo achando o local muito seguro", comentou ele.
FONTE DN
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