13 de fevereiro de 2010

Carnaval é oportunidade de renda extra

Aluguel de casas, transporte de passageiros e tele- entrega têm alta na demanda durante feriado

Começou a maior festa popular do ano, e engana-se quem imagina que o período é marcado apenas pelas brincadeiras nas ruas e avenidas do Estado ou pelo descanso de quem vai ficar longe da comemoração. Muita gente troca o almejado feriadão por uma renda extra para incrementar o orçamento da família.
Em Beberibe, um dos principais destinos escolhido pelos brincantes cearenses, a população aproveita a grande movimentação para faturar. É o caso do bugueiro Ricardo Costa. Há 10 anos, ele decidiu alugar sua casa durante o Carnaval, e ao perceber que o negócio era rentável, resolveu investir ainda mais. "Quando comecei a alugar, eu só tinha uma casa com dois quartos e um banheiro. Com o lucro que venho obtendo nos últimos anos, estou investindo em reformas. Atualmente, a casa é duplex e possui quatro quartos e três banheiros", diz.
Mas não é só com a residência própria que Ricardo lucra. O bugueiro também medeia o aluguel da casa de amigos. Como gratificação, recebe 10% do valor do aluguel do imóvel, quantia que, segundo ele, chega a ser superior a recebida durante o trabalho de um ano inteiro.
"Este ano, facilitei o aluguel de 83 casas, com preços que variavam de R$ 1.000 a R$ 14.000. Durante os cinco dias de Carnaval, tenho que ficar em um quarto na casa da minha sogra. O transtorno não é nada diante do dinheirinho extra que entra", comemora.

Transporte de foliões
O taxista Dairton de Lima é outro que costuma ganhar uma renda a mais no período momino. Ele faz o transporte de passageiros de Beberibe à Praia de Morro Branco, trajeto de apenas quatro quilômetros, mas que possui grande afluência de pessoas durante todos os dias de festa. "A gente começa a fazer a rota a partir das 6h e segue enquanto tiver demanda de passageiros", afirma.
O taxista cobra R$ 2 de cada um dos quatro passageiros que trafegam em seu veículo. De acordo com ele, o carro chega a rodar entre 250 e 300 quilômetros por dia de folia. Ou seja, Dairton fatura, em média, R$ 600, diariamente no Carnaval, dinheiro extra que sempre é bem-vindo. "A gente vive em uma cidade turística, portanto, temos que aproveitar os períodos de alta estação para faturar. Com o extra recebido no Carnaval, pago as contas de casa, a parcela do financiamento do carro e ainda sobra", revela.

Setores também lucram
Quem também aproveita para faturar um pouco mais é o setor de tele-entregas, também conhecido como delivery. De acordo com o gerente do Lig & Peça, Clóvis Costa, o serviço funciona normalmente durante todo o feriado. "Antes do início do Carnaval, a gente já percebe um crescimento. Mas é na quarta-feira de cinzas que fazemos um maior volume de entregas. Cerca de 70% a mais do que outro dia normal", declara.
Segundo Costa, mais de 70 pessoas (sendo 35 motoqueiros) realizam as entregas diariamente em qualquer lugar da Região Metropolitana de Fortaleza. "Existe demanda. Muita gente fica em casa e não tem ninguém para cozinhar, pois os funcionários estão de folga. Nós nos transformamos na cozinha dessas pessoas. É mais prático", argumenta o gerente.
Mesmo assim, pelo número de solicitações feitas nos últimos dias, a estimativa do Lig & Peça é de que haja uma queda em torno de 20% em relação ao carnaval passado. "Os clientes estão mais cautelosos. Houve muitos gastos no fim do ano", explica Costa.
Outro segmento que irá abrir todos os dias normalmente são as locadoras de vídeo. A previsão é de que a alta na procura por locações de filmes varie entre 40% e 50%. "Até agora, o movimento está muito parecido com o do ano passado. Mas, a tendência é melhorar", estima a gerente da Distrívideo da Avenida Antônio Sales, Lúcia Coelho.
Na opinião dela, os gêneros aventura, comédia, drama e infantil são os mais procurados tanto por quem vai viajar quanto os que vão ficar em Fortaleza. "Cerca de 70% das locações são feitas por pessoas que ficam na cidade. O restante fecha o pacote ainda na sexta ou sábado para devolver apenas no retorno do feriado", revela Lúcia.

PRAIA DO FUTURO
Barracas projetam faturar 15% a mais
Barracas apostam nas marchinhas, decoração momina e serviço dos temporários contratados na alta estação
É bem verdade que boa parte da população de Fortaleza procura viajar: seja para brincar no meio da folia, rever parentes no Interior ou até descansar; contudo, algumas empresas aproveitam a presença dos potenciais consumidores que preferem ficar na cidade para incrementar seus faturamentos. É o caso das barracas de praia.
De acordo com a presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Fátima Queiroz, o aumento nas vendas em relação a igual período do ano passado deverá variar entre 10% e 15%. "Não são dados apurados, mas, pelo fluxo na semana que antecedeu o período, podemos sentir isso, no mínimo. Os que ficam não são um público ´morto". Muitos não querem estar no meio do agito, mas, ao mesmo tempo, gostam do clima carnavalesco. Por isso, as barracas investiram em decoração, bandas para tocar as tradicionais marchinhas e até na contratação de DJ´s", afirma Fátima. Ela diz que a mão-de-obra temporária, contratada para a alta estação, vai ser quase toda aproveitada no feriado. "A ideia é pegar cerca de 70% dessas pessoas, principalmente, para julho. Isso vai evitar desgastes e novos custos", explica. Parte dos clientes é de turistas que já estão na cidade desde janeiro.

Hotéis

Conforme o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Estado (ABIH-CE), Régis Medeiros, a expectativa de ocupação para este Carnaval é a melhor dos últimos cinco anos. A previsão é que a taxa chegue a 91,74%, ante 87,84% de 2009 e 85,66% de 2008. "A razão para isso é o somatório de esforços da ABIH e Convention Bureau, campanhas da Setur e o bom momento da economia e do turismo interno brasileiro".

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