26 de fevereiro de 2010

Araras-azuis nascem no CE


Os animais já estão com dois meses de vida e nasceram num criatório particular. Eles devem se reproduzir em sete anos

Duas fêmeas de arara-azul, animal que está na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção, nasceram na Fazenda Haras Claro, um criadouro particular, em Caucaia. É o primeiro registro de reprodução dessa ave, em cativeiro, no Ceará. Agora, somente no local, são 11 araras-azuis. A experiência é parte de um trabalho de observação da espécie.
Os animais nasceram nos dias 16 e 19 de dezembro do ano passado, mas só agora a informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Atualmente pesando 1,3kg cada um, os animais estão numa Unidade de Tratamento Animal (UTA), com temperatura controlada e alimentação especial, à base de ração própria para aves. Ambos já receberam as anilhas de identificação, atestando que se tratam de animais legalizados.

Gaiolas
Eles devem permanecer na UTA por mais 40 dias ou até que tenham desenvolvido todas as penas. Então, serão transferidos para gaiolas e, depois, para os viveiros onde ficarão em definitivo. "Não temos como prever o tempo que durará este processo ao certo, pois é a primeira vez que eles se reproduzem aqui", ressaltou a veterinária do Haras, Rochele Araújo. "Estamos muito felizes".
Normalmente, cada arara fica sozinha num viveiro. Para a reprodução, é realizado um trabalho de aproximação entre fêmeas e machos - só há dois deles na Fazenda Haras Claro. O procedimento torna-se ainda mais difícil pelo fato de que, uma vez formados, os casais são fiéis para o resto da vida. "Como estamos com muito mais fêmeas do que machos, vai ficar ainda mais difícil a reprodução, mas os filhotes que nasceram agora são uma grande conquista", avaliou Rochele.
Cada fêmea tem, em média, dois filhotes, e passa a maior parte do tempo no ninho cuidando dos ovos, que são semelhantes, em tamanho, aos de galinha. Na divisão de tarefas, o macho fica responsável pela alimentação da família.
As araras-azuis só começam a voar depois de três meses de vida e chegam a atingir 57 centímetros, entre as pontas das asas, e 1,5kg, quando adultas. A expectativa dos criadores é de que os filhotes estejam prontos para reproduzir daqui a sete anos. "Daí a grande dificuldade em reverter a situação de extinção desta espécie", afirmou o analista ambiental do Ibama, Daniel Accioly.
Ele explicou que a comercialização desse tipo de filhote só é permitida a partir da segunda geração em cativeiro, ou seja, dos netos das matrizes.
Por conta de sua beleza, uma arara-azul pode chegar a R$ 50 mil no mercado legal. "A demanda existe, e o Ibama estimula esta reprodução em cativeiro. São aves legalizadas. Caso contrário, acabam entrando em cena os traficantes de animais", denunciou o especialista.
Comuns na região do Pantanal, as araras-azuis têm sofrido principalmente com o desmatamento. Sem alimento - na natureza, elas comem basicamente cocos provenientes de diversos tipos de palmeiras, como macaúba e acuri - e sem as árvores onde possam colocar e chocar seus ninhos, elas estão mesmo desaparecendo.




FILIPE PALÁCIO
REPÓRTER

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