A crueldade e o sadismo marcaram as últimas horas de vida da garota Alanis Maria Laurindo de Oliveira, de apenas 5 anos. É o que mostra o exame de corpo de delito que O POVO teve acesso. Informações que serão importantes para o processo judicial. Mas um alerta ao leitor: o que você vai ler a seguir é uma descrição científica que tem conteúdo de forte impacto.
Depois de examinarem o corpo da vítima, dois peritos da Coordenadoria de Análises Laboratoriais Forenses do Ceará constataram que Alanis Laurindo morreu em decorrência de ``traumatismo crânioencefálico e asfixia mecânica por esganadura, com violência sexual associada``.
O assassino usou um objeto ``contundente`` para provocar o ``traumatismo crânioencefálico`` e ``contundente por ação constrictora`` para sufocar a garota. Imobilizada, a menina foi morta por ``meio cruel pela capacidade reduzida de defesa, por sua pouca idade (5 anos), pela multiplicidade, localização e diversidade das lesões``.
Pela fragilidade física, Alanis Laurindo não teve a mínima chance de reagir a força brutal imposta por um adulto. O criminoso, segundo o laudo cadavérico, obstruiu a ``boca`` de Alanis durante a ação para evitar qualquer tipo de ``verbalização ou gritos`` que chamassem a atenção de populares. A prova da ação do estuprador, neste momento, está no rastro de escoriações detectado pelos peritos na ``região bucinadora (bochecha) esquerda da face`` da menina. Lugar onde foram encontrados marcas de ``unhas`` do criminoso.
O laudo, de duas páginas, revela ainda que o homicida, além de estuprar a garota, também manteve relações anais com ela. De acordo com a análise pericial, o corpo da menina apresentava ``equimose perianal volumosa. Rastro escoriativos ungueais (arranhões produzidos por unhas) na região perianal e presença de grande dilatação do esfíncter anal, com equimose na parede retal lateral direita e posterior. Típicos de prática de sodomia (introdução de instrumento contundente no reto) com uso de violência física efetiva``.
Antônio Carlos Xavier, que confessou o crime para o delegado Lira Ximenes, mudou a versão da confissão em entrevista à TV Jangadeiro. No entanto, materias recolhidos do corpo da vítima e e do próprio Antônio Xavier, segundo O POVO apurou, devem revelar o contrário.
Para a Coordenadoria de Análises Laboratoriais Forenses, segundo consta no laudo cadavérico, foram remetidos, além de roupa, esperma e sangue, ``dois filamentos negros, crespos, podendo representar pêlos pubianos de adulto`` que foram encontrados no abdômen da garota.
LESÕES ENCONTRADAS NO CORPO DA VÍTIMA
> Cianose cervical. (coloração azulada no pescoço)
> Rastros escoriativos (ferimentos) na região cervical anterior e lateral esquerda, típicos de esganaduras.
> Rastros escoriativos ungueais (ferimentos provocados por unhas) na face anterior e lateral de ambos os ombros, típicos de tentativa de contensão. Imobilização da vítima.
> Rastros escoriativos ungueais na região perianal.
> Rastros escoriativos na região bucinadora (bochecha) esquerda da face, típicos de tentativa de obstrução da boca para impedimento de verbalização ou gritos.
> Hematoma periorbitário (ao redor da cavidade ocular) volumoso à esquerda.
> Equimose (mancha, ``roncha``) periórbitária à direita.
> Equimose em faixa de 4 por 6 centímetros no abdômen e tórax anteriores (duas lesões).
> Hímen em rotura (ruptura) às 12 horas, recente, com grande infiltrado hemorrágico em toda a orla e coágulo ainda aderido à rotura.
> Equimose perianal volumosa.
> Rastros escoriativos ungueais na região perianal e presença de grande dilatação do esfíncter anal. Com equimose na parede retal lateral direita posterior. Típicos da prática de sodomia (introdução de instrumento contundente no reto) com uso de violência física efetiva.
> Hemorragia subacnóidea difusa e hemorragia subdural occiptal (parte inferior da cabeça). Não há fraturas ósseas cranianas.
> Congestão plurivisceral. (afluência anormal de sangue aos vasos de vários órgãos).
> Petéquias (manchas vermelhas) subpleurais nos pulmões e subepicárdicas no coração.
> Fratura do osso hióide (osso em forma de ferradura, situado na parte anterior do pescoço na base da língua).
> Hematoma retrofaríngeo à esquerda.
> Uma rotura arciforme (forma de arco ou meia lua) na camada íntima da artéria carótida (artéria) esquerda, que também apresenta sufusão (extravasamento sanguíneo) hemorrágica na camada externa.
> Infiltrado hemorrágico no fundo uterino e ligamento largo.
> Não há fraturas vertebrais cervicais.
Fonte: Laudo da Coordenadoria de Medicina Legal da Perícia Forense do Ceará
Nenhum comentário:
Postar um comentário