5 de janeiro de 2010

Angra contabiliza 50 mortes

Com os quatro corpos encontrados ontem pela Defesa Civil de Angra dos Reis, já totalizam 50 mortes provocadas por deslizamentos de terra que atingiram o local e a enseada do Bananal, na Ilha Grande.
Os corpos encontrados são de um casal, de uma criança, e de um homem, levados ao IML (Instituto Médico Legal) da cidade. Somente no morro da Carioca foram 21 mortes.
As buscas continuaram no local. Equipes trabalharam também na região da pousada Sankay, na Ilha Grande, onde outras 29 pessoas morreram soterradas. As buscas não foram interrompidas durante a madrugada no local. Ao menos três pessoas -um morador e dois turistas- estão desaparecidos.
Desde a manhã de domingo, o prefeito de Angra, Tuca Jordão (PMDB), oficializou o decreto de estado de calamidade pública no município. Ele disse que a documentação tinha sido providenciada para que a medida fosse publicada no ´Diário Oficial do Estado".
A Prefeitura de Angra estima que os deslizamentos de terra provocados pela chuva na virada do ano tenham causado um prejuízo de cerca de R$ 250 milhões. A estimativa não inclui valores que a cidade deixará de arrecadar nas áreas de turismo, comércio e serviços após a tragédia. Ontem, a Defesa Civil confirmou a interdição de 221 casas em Angra devido ao risco de novos deslizamentos. A maioria das interdições (112) foi feita no morro da Carioca. No Morro do Bulé, dez casas terão de ser demolidas por causa do risco de desabamento.
O balanço aponta que há 125 pessoas desabrigadas - encaminhadas a abrigos públicos - e 113 desalojadas - hospedadas em casas de parentes e amigos- no morro da Carioca. Outras 770 pessoas também tiveram que deixar suas casas na região de Mambucaba, em Angra.

FGTS
Em uma conversa por telefone com o governador Sérgio Cabral, ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu tornar disponível aos que sofreram prejuízos materiais com as chuvas que atingiram Angra dos Reis e a Baixada Fluminense a possibilidade de levantamento imediato dos recursos que elas têm disponível nas contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
A medida será nos mesmos moldes da que foi tomada em favor da população de Santa Catarina, na ocasião das enchentes que lá ocorreram, em dezembro de 2008.
No telefonema, o presidente também se comprometeu a editar uma Medida Provisória para tornar possível a disponibilização de recursos federais, em caráter emergencial, suficientes a resolver de forma definitiva as causas de enchentes e alagamentos nas cidades da Baixada Fluminense.
O dinheiro será aplicado em dragagem de rios, casas para reassentamento, retirada de população de áreas de risco, drenagem e reflorestamento. Segundo a assessoria de imprensa do governo do Estado, para Angra serão destinados recursos para a construção de casas para a retirada da população que vive em áreas de risco, com a implementação de reflorestamento e contenção de encostas com risco de desmoronamento.
Cabral e a sua equipe se reunirão com Lula no próximo dia 13, a fim de apresentar o detalhamento da sua proposta para a edição da Medida Provisória. Será apresentada uma lista de obras complementares ao Projeto Iguaçu, que necessitarão de um investimento de R$ 560 milhões. 0 projeto prevê uma série de intervenções nas bacias dos rios Iguaçu, Botas e Sarapuí.

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