Família de paciente desaparecido acusa a unidade de saúde de negligência e falta de controle na saída.
A superlotação do Instituto Dr. José Frota (IJF), provocada pela grande demanda de pacientes da Capital e do Interior, está gerando descontrole da administração do hospital em relação à saída de pacientes. Na última terça feira, 8, Francisco Vanilton da Silva, que havia dado entrada no hospital sábado passado, depois de sofrer uma queda, desapareceu da unidade. Funcionários só tomaram conhecimento da saída do paciente depois que a ex-mulher dele, Ana Célia do Nascimento, comunicou que o ex-marido havia sumido da emergência.
Para se ter uma ideia, segundo o médico Rommel Araújo, chefe da emergência do IJF, na manhã de ontem, 110 pacientes ocupavam leitos e corredores da emergência, que só têm capacidade para atender 40. Para o médico, a situação colabora para a fuga de pacientes que estão sem acompanhante.
Segundo a ex-mulher do paciente que desapareceu, ele era alcoólatra, e os médicos do hospital haviam diagnosticado sintomas de cirrose hepática e pancreatite. Ainda assustada com o fato, ela disse que o hospital foi negligente e que o marido passou três dias jogado em cima de uma maca no corredor da unidade, com a roupa suja de sangue, fome e frio. "Não o vi sendo medicado ou alimentado. Nem um cobertor deram a ele".
Ana Célia, que mora no município de Madalena, contou que, assim que soube do internamento do ex-marido, veio a Fortaleza para visitá-lo. Conforme ela, esteve no hospital no domingo e na segunda-feira passados, mas, quando voltou na tarde da última terça-feira, 8, não o encontrou mais.
Segundo o chefe da emergência do IJF, pacientes que fogem ou desistem do atendimento geralmente tem o mesmo perfil de Francisco Vanilton: são alcoólatras com síndrome de abstinência ou levaram pancadas na cabeça. "Esses pacientes ficam desorientados e, num instante de ausência dos enfermeiros, aproveitam para fugir do hospital", acrescentou ele.
Grande fluxo
De acordo com a assessoria de imprensa do IJF, Francisco Vanilton da Silva foi atendido e recebeu cuidados médicos. A assessoria confirmou que casos como esses acontecem na unidade e que o hospital não tem como registrar a saída de um paciente que sai sem avisar, por conta do fluxo intenso.
KARLA CAMILA
REPÓRTER
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