No único abrigo público para idosos do Estado, a maioria das histórias de abandono começa nos hospitais
Além da situação de superlotação dos hospitais públicos e de pacientes que desaparecem das emergências, como o caso denunciando, ontem pelo jornal, de Francisco Vanilton da Silva, que sumiu do Instituto Doutor José Frota (IJF), outro frequente problema é o abandono de doentes por familiares.
Sem ter para onde ir depois que recebem alta, a maioria deles é encaminhada para abrigos. No Ceará, o único público para idosos existente oferece 99 vagas e está com 104. Segundo a diretora da Unidade de Abrigo do Estado, Maria Yolanda de Castro, a demanda é grande e cerca de 100 pessoas estão na fila à espera de uma vaga.
O agricultor aposentado de 85 anos, Emanuel Francisco de Lima morava sozinho no município de Paraipaba. Há um ano, sofreu Acidente Vascular Cerebral (AVC). Socorrido por vizinhos, foi encaminhado ao IJF. Lima conta que durante oito dias ficou na emergência do Fortão e não recebeu visita de parentes. Emocionado, o aposentado conta que tem quatro filhos e uma ex-esposa que moram em Fortaleza, mas nunca lhe prestaram assistência.
Segundo ele, depois de várias tentativas de contato com familiares, o Serviço Social do IJF o encaminhou para a Unidade Abrigo do Estado. "Estou aqui há meses e não recebo uma visita. Me sinto triste e gostaria muito de ver meus filhos".
Histórias como a de seu Francisco Lima são comuns nos hospitais da Capital e, em alguns casos, falta até o documento de identificação. O Lar da Divina Providência, na Lagoa Redonda, abriga moradores de rua que receberam alta dos hospitais, mas ainda precisam de cuidados médicos. O dirigente da casa, Valdir Paiva, é um franciscano de 50 anos que dedica sua vida a cuidar, sozinho, dos pobres e desprezados.
O local abriga 25 homens, entre adultos e idosos, e é mantido por doações. Segundo Paiva, o maior problema é que a maioria dos moradores não tem documento de identidade. Outros não lembram nem mesmo do primeiro nome. Diante disso, é impossível conseguir medicamentos nos postos de saúde. "Os médicos não liberam os remédios. Muitos deles são diabéticos, sofrem de pressão alta ou distúrbios neurológicos e precisam ser medicados", frisa.
Perfil semelhante
Conforme Cristina Fernandes, assistente social da Unidade de Abrigo do Estado, o perfil das pessoas abandonadas nos hospitais é sempre o mesmo: a maioria é idosa, vítima de queda, traumatismo craniano ou AVC. "Os pacientes geralmente chegam ao abrigo ainda inconscientes e sondados, muitos não sabem quem são e de onde vem", diz a assistente social.
No caso dos pacientes sem documentos, o serviço social do abrigo procura a Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso, que entra em contato com os cartórios do Estado, na busca da certidão de nascimento.
SEM DOCUMENTOS
IJF recebe doente desconhecido
Deitado no chão, muito machucado e com a cabeça sangrando, um homem foi encontrado, no último dia 1º de novembro, nos corredores do Instituto Doutor José Frota (IJF). Sem documentos e inconsciente, não havia ninguém no local que soubesse informar a sua procedência. Segundo Neubejamia Rocha, assistente social do Frotão, o "desconhecido" estava com politraumatismo e se encontra ainda em coma no hospital.
Ela explica que alguém o levou e registrou somente o local do acidente, que supostamente teria sido no Bairro de Fátima. Sem se identificar, a pessoa o abandonou no chão do hospital e foi embora. Segundo Neubejamia, é comum pacientes sem acompanhante ou que não recebem visitas de familiares. "São poucos os que se dispõem a ajudar um parente doente, os filhos desaparecem na hora do problema", ressalta.
A assistente social ressalta, ainda, que em muitos casos quando o paciente tem família, o hospital entra em contato com a Promotoria de Justiça do Idoso para que acione a Justiça e obrigue o parente a cuidar da pessoa. "É a única forma de obrigar a família a prestar assistência ao idoso", frisa.
Os profissionais de saúde lembram que a presença de um acompanhante é importante para a recuperação dos pacientes, uma vez que eles se sentem mais confiantes no tratamento com a presença de um ente querido. Os médicos alertam para a necessidade da parceria família/hospital no tratamento, observando que a recuperação se tornam muito fácil.
Além da situação de superlotação dos hospitais públicos e de pacientes que desaparecem das emergências, como o caso denunciando, ontem pelo jornal, de Francisco Vanilton da Silva, que sumiu do Instituto Doutor José Frota (IJF), outro frequente problema é o abandono de doentes por familiares.
Sem ter para onde ir depois que recebem alta, a maioria deles é encaminhada para abrigos. No Ceará, o único público para idosos existente oferece 99 vagas e está com 104. Segundo a diretora da Unidade de Abrigo do Estado, Maria Yolanda de Castro, a demanda é grande e cerca de 100 pessoas estão na fila à espera de uma vaga.
O agricultor aposentado de 85 anos, Emanuel Francisco de Lima morava sozinho no município de Paraipaba. Há um ano, sofreu Acidente Vascular Cerebral (AVC). Socorrido por vizinhos, foi encaminhado ao IJF. Lima conta que durante oito dias ficou na emergência do Fortão e não recebeu visita de parentes. Emocionado, o aposentado conta que tem quatro filhos e uma ex-esposa que moram em Fortaleza, mas nunca lhe prestaram assistência.
Segundo ele, depois de várias tentativas de contato com familiares, o Serviço Social do IJF o encaminhou para a Unidade Abrigo do Estado. "Estou aqui há meses e não recebo uma visita. Me sinto triste e gostaria muito de ver meus filhos".
Histórias como a de seu Francisco Lima são comuns nos hospitais da Capital e, em alguns casos, falta até o documento de identificação. O Lar da Divina Providência, na Lagoa Redonda, abriga moradores de rua que receberam alta dos hospitais, mas ainda precisam de cuidados médicos. O dirigente da casa, Valdir Paiva, é um franciscano de 50 anos que dedica sua vida a cuidar, sozinho, dos pobres e desprezados.
O local abriga 25 homens, entre adultos e idosos, e é mantido por doações. Segundo Paiva, o maior problema é que a maioria dos moradores não tem documento de identidade. Outros não lembram nem mesmo do primeiro nome. Diante disso, é impossível conseguir medicamentos nos postos de saúde. "Os médicos não liberam os remédios. Muitos deles são diabéticos, sofrem de pressão alta ou distúrbios neurológicos e precisam ser medicados", frisa.
Perfil semelhante
Conforme Cristina Fernandes, assistente social da Unidade de Abrigo do Estado, o perfil das pessoas abandonadas nos hospitais é sempre o mesmo: a maioria é idosa, vítima de queda, traumatismo craniano ou AVC. "Os pacientes geralmente chegam ao abrigo ainda inconscientes e sondados, muitos não sabem quem são e de onde vem", diz a assistente social.
No caso dos pacientes sem documentos, o serviço social do abrigo procura a Promotoria de Justiça de Defesa do Idoso, que entra em contato com os cartórios do Estado, na busca da certidão de nascimento.
SEM DOCUMENTOS
IJF recebe doente desconhecido
Deitado no chão, muito machucado e com a cabeça sangrando, um homem foi encontrado, no último dia 1º de novembro, nos corredores do Instituto Doutor José Frota (IJF). Sem documentos e inconsciente, não havia ninguém no local que soubesse informar a sua procedência. Segundo Neubejamia Rocha, assistente social do Frotão, o "desconhecido" estava com politraumatismo e se encontra ainda em coma no hospital.
Ela explica que alguém o levou e registrou somente o local do acidente, que supostamente teria sido no Bairro de Fátima. Sem se identificar, a pessoa o abandonou no chão do hospital e foi embora. Segundo Neubejamia, é comum pacientes sem acompanhante ou que não recebem visitas de familiares. "São poucos os que se dispõem a ajudar um parente doente, os filhos desaparecem na hora do problema", ressalta.
A assistente social ressalta, ainda, que em muitos casos quando o paciente tem família, o hospital entra em contato com a Promotoria de Justiça do Idoso para que acione a Justiça e obrigue o parente a cuidar da pessoa. "É a única forma de obrigar a família a prestar assistência ao idoso", frisa.
Os profissionais de saúde lembram que a presença de um acompanhante é importante para a recuperação dos pacientes, uma vez que eles se sentem mais confiantes no tratamento com a presença de um ente querido. Os médicos alertam para a necessidade da parceria família/hospital no tratamento, observando que a recuperação se tornam muito fácil.
KARLA CAMILA
REPÓRTER
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