16 de dezembro de 2009

BECO DA POEIRA - Funcionários da Prefeitura são expulsos

Clima no local ficou tenso depois que permissionários desocuparam à força sala da Prefeitura Municipal.

Roupa para todo lado, incontáveis pessoas nos corredores e muito dinheiro circulando. Assim é o Beco da Poeira, como é mais conhecido o Centro de Pequenos Negócios e Vendedores Ambulantes (CPNVA), no Centro, local que tem sido também palco de muita polêmica.
Na manhã de ontem, funcionários da Prefeitura lotados no local foram expulsos e a sala que ocupavam, fechada por membros da Associação Profissional do Comércio de Vendedores Ambulantes do Estado do Ceará (Aprovace). O clima era de tensão e a Polícia Militar precisou ser acionada. Os funcionários, que terão suas identidades preservadas, disseram que sofreram, inclusive, agressões físicas.
Em consequência, a administração municipal, através da Secretaria Executiva Regional do Centro (Sercefor), registrou um Boletim de Ocorrência no 34º Distrito Policial por crime contra o patrimônio público. Uma das permissionárias, Marlene Benigno de Sousa, disse que recebeu uma notificação para comparecer hoje ao 34º DP e deverá prestar esclarecimentos sobre os fatos ocorridos ontem.
De acordo com a Sercefor, os permissionários envolvidos no inquérito policial perderão a permissão para trabalhar e não poderão se mudar para o novo centro que será entregue. Conforme Luiza Perdigão, titular do órgão, desde o último dia 28 de julho, a prefeita Luizianne Lins assinou um ato afastando a Aprovace da administração do CPNVA.
O motivo é que teriam sido constatadas diversas irregularidades no centro comercial. "Mais de 80% dos permissionários não estão de fato nos boxes. A maioria deles está alugando os espaços para terceiros", disse.
A permissionária Marlene Sousa reclamou da taxa que está sendo cobrada pela Prefeitura, no valor de R$ 58,00. "Eles não discriminam o que é que estamos pagando; alegam que é para manutenção. Mas todos os serviços daqui, quem tem pago é a Aprovace: a segurança, os serviços gerais, a luz. No total, em um mês, são R$118.900,00 arrecadados. Você imagina em quatro meses. O que eles estão fazendo com esse dinheiro? A Prefeitura não está nos prestando nenhum serviço", reclamou.

Arrecadação
Luíza Perdigão alegou que a quantia arrecadada é a mesma que a Aprovace cobrava, e que, a partir disso, a Prefeitura constatou que este valor era superior ao necessário para a manutenção do local. "Oficiamos tanto à Companhia Energética do Ceará (Coelce) como à Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), e, hoje, a administração do CPNVA está a cargo do Município", declarou. "Além disso, entramos com uma notícia-crime contra supostos permissionários e estamos usando todos os instrumentos legais a fim de resguardar a vida de todos que ali circulam, sejam permissionários ou clientes".

JANAYDE GONÇALVES
REPÓRTER

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