
O governador mineiro, Aécio Neves, tem emitido sinais de que pode recuar do projeto presidencial a favor de José Serra
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), voltou a afirmar ontem que defende a escolha do candidato tucano à sucessão presidencial até janeiro de 2010. Aécio não garantiu, porém, se irá ser candidato ao Senado caso o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seja o indicado pela legenda para disputar a eleição.
"Tenho dito que em janeiro seria o momento ideal para que o PSDB tomasse sua decisão, até porque essa indefinição impacta na construção dos palanques regionais que precisam de uma palavra daquele que será o candidato. Tenho estimulado o partido a tomar esta decisão em janeiro, e, não tendo uma decisão, pretendo realmente voltar para Minas para, a partir dali, poder ajudar o PSDB nessa caminhada", disse Aécio.
Nos últimos dias, o governador mineiro tem emitido sinais de que recuará do projeto presidencial. Tem elogiado Serra em entrevistas e já teria dito ao presidente do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), que vai concorrer ao Senado. Ainda ontem, Aécio rejeitou uma chapa puro-sangue e defendeu uma aliança nacional com o DEM.
Para o governador, a relação dos dois partidos não foi abalada mesmo com o escândalo envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), acusado de comandar um esquema de cobrança de propina e pagamento de mesada a políticos aliados.
"Esse problema incomoda a todos, constrange alguns de nossos companheiros, mas é uma coisa circunscrita ao Distrito Federal. Nós conseguiremos superar este momento, obviamente não sem algum desgaste, mas o que é mais relevante é a construção de um novo momento para o país", defendeu Aécio.
O governador comentou também o envolvimento do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) no episódio que ficou conhecido como mensalão mineiro. Segundo ele, Azeredo, que responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF), é um homem de bem que se deixou envolver na campanha por ações que não foram corretas". Aécio fez questão ainda de diferenciar o mensalão do PT do caso tucano. "O processo do PT e que levou ao indiciamento de 40 pessoas era o financiamento a parlamentares para votar a favor do governo. Diferente do financiamento de uma campanha eleitoral", afirmou o governador.
Aproximação
Aécio Neves também disse ontem que "o PSDB deve sair da comodidade de aliança com o DEM e o PPS, que é importante, mas talvez não seja suficiente para vencer as eleições". Aécio afirmou que pode trabalhar pela aproximação com partidos como PSB, PDT, PP e com setores do PMDB e reiterou a decisão de esperar somente até o início de janeiro por uma definição dos tucanos sobre a candidatura à Presidência da República.
"Praticamente fora"
O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu (PT) afirmou ontem, em seu blog, que Aécio Neves está "praticamente fora" da disputa presidencial em 2010.
No blog, Dirceu disse que Aécio e Serra devem cuidar da sucessão nos seus Estados, já que perder a presidência e o governo "significa estar fora da disputa de 2014".
Dirceu afirma que a suposta decisão de Aécio em sair da disputa presidencial se deve ao resultado da eleição do diretório regional do PT em Minas com a vitória da chapa apoiada pelo ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel, que tem boa chances de ser o candidato do partido ao governo do Estado. "Pimentel é um candidato difícil de derrotar já que além dos votos petistas e de uma provável aliança com o PMDB, ele terá uma parcela significativa de eleitores que votaram no próprio Aécio", diz.
FONTE - DN
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