A denúncia de que um grupo de assaltantes presos na Região Metropolitana de Fortaleza há duas semanas, foi vítima de torturas, começa a ganhar repercussão nacional e internacional. Em Brasília, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, em reunião deliberativa, aprovou, por unanimidade, uma moção de repúdio ao fato e informou que o episódio será comunicado ao Alto Comissariado das Nações Unidas Para os Direitos Humanos.
A iniciativa partiu do presidente da CDHM, deputado federal Luiz Couto. Ele informou que a comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navanethem Pillay, que se encontra em visita ao Brasil, será comunicada oficialmente do caso ocorrido em Fortaleza. "Lamentamos e repudiamos a existência de tais práticas, que colocam em risco não apenas a população carcerária, mas todo o conjunto da sociedade brasileira e o próprio Estado de Direito, pelo qual tantos lutaram, inclusive, perdendo a própria vida, para que voltasse a vigorar em nosso País", destaca a moção.
O teor da moção que será encaminhada à representante da Organização das Nações Unidas (ONU) cita a reportagem publicada, com exclusividade, pelo Diário do Nordeste na edição do último dia 4.
Investigação
O Diário revelou, de forma inédita, a abertura do inquérito pelo Departamento de Inteligência Policial (DIP), com o acompanhamento do Ministério Público e de representantes de entidades humanitárias, para apurar a denúncia de que os presos Otacílio Siqueira Júnior, o "Júnior Paulista"; Gilson Lopes Justino, o "Meia-Luz"; Francisco Lopes Justino (irmãos), e Francisco da Silva Monteiro foram torturados depois de presos, no Município do Eusébio, no último dia 28. O grupo é acusado de praticar assaltos e roubar caminhonetes de luxo na Capital cearense.
O objetivo das torturas, conforme os presos relataram ao delegado Rodrigues Júnior (DIP) e ao promotor de Justiça Francisco André Karbage Nogueira, era incriminar o superintendente da Polícia Civil, Luiz Carlos Dantas, no suposto atentado sofrido, em 16 de agosto passado, pela delegada Alexandra Medeiros e seu esposo, o inspetor Fernando Cavalcante.
O delegado e ex-deputado estadual Francisco Cavalcante (irmão do inspetor Fernando e cunhado da delegada Alexandra) acusou Dantas de uma trama e chegou a acusá-lo de envolvimento com o crime organizado no Ceará. Dantas não respondeu às acusações, mas prometeu processar Cavalcante e Alexandra. Por fim, o secretário da Segurança Pública, Roberto Monteiro, decidiu afastar Cavalcante, Alexandra e o inspetor Fernando de suas funções.
Ontem, Cavalcante entregou documentos a diversas autoridades, entre elas, o Ministério da Justiça, pedindo que Dantas seja afastado do cargo. Ele afirma ter prova do envolvimento de Dantas em torturas.
DIARIO DO NORDESTE
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