Se não bastasse a situação precária das instituições, existem conselhos que dividem até o veículo e a sede com outros órgão municipais. É o que acontece no município de Itapipoca, região Norte do Estado. Segundo o conselheiro Francisco José de Lima, falta até papel, tinta para impressora e caneta para preencher as fichas de encaminhamento. Mas, ao falar sobre locais seguros para as crianças e adolescentes em situação de risco, o conselheiro confessa que o único abrigo que funcionava na cidade fechou, na semana passada. “Ficamos de mãos atadas, não temos o que fazer com essas crianças, a situação chega a ser despertadora”, frisa.
Diante deste quadro, o presidente da Associação do Conselhos e ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Ceará, Eulógio Neto, realizou um diagnóstico durante um ano nos 190 conselhos de todos os municípios cearenses, e os resultados foram alarmantes. Segundo ele, 47% dos conselheiros não são capacitados, 72% ganham entre um e dois salários mínimos e apenas 24% das entidades tem carro próprio. O diagnóstico será encaminhado para todos os prefeitos, juntamente com uma resolução que mostra quais são as mínimas condições de funcionamento dos conselhos. “Essa é uma maneira de sensibilizar as autoridades e tentar reverter esse quadro vergonhoso”, destaca.
Capital
A situação de Fortaleza não é muito diferente dos demais municípios. Atualmente, a cidade está com déficit de seis conselhos tutelares. Segundo Thiago Holanda, titular da Coordenadoria da Criança e do Adolescente da Secretaria de Diretos Humanos de Fortaleza, o Conselho Nacional da Criança e do Adolescentes recomenda que a cada 200 mil habitantes exista um conselho, o que não é o caso da Capital que tem apenas seis.De acordo com o ele, a situação poderá melhorar no próximo ano, pois os conselhos deixarão de ser de exclusiva responsabilidade das regionais, e passarão a ser coordenados pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH). “Através dessa iniciativa iremos uniformizar as estrutura dos conselhos que irão dispor de uma verba igualitária”, ressalta. Ainda segundo Holanda, a Prefeitura está avaliando a possibilidade da criação de mais conselhos sobre o ponto de vista orçamentário e da demanda de cada regional.
“Antes de criar mais conselhos, precisamos fortalecer os que já existem e fazer com que eles funcionem de forma digna”, ressalta
Karla Camila
Repórter
Nenhum comentário:
Postar um comentário