O governador Cid Gomes disse a este colunista que, se depender dele, repetirá, em 2010, a coligação multipartidária que o elegeu em 2006. Mas ele advertiu que não pretende dedicar tempo à questão eleitoral. "Estou determinado a não fazer comentários sobre isso por uma série de fatores, alguns decisivos", argumentou. Que fatores são esses? E ele: "Por exemplo: em nenhuma outra unidade da Federação, o cenário nacional terá tanto impacto e tanta influência quanto no Ceará, pelo simples fato de que um pré-candidato a presidente é irmão do governador do Estado. Não há isso em nenhum outro lugar".
Em seguida, talvez desejando ministrar uma lição a quem, com mais idade, também está na lide política, ele se explica: "Eu não estou no Governo por ambição ou vaidade. Estar aqui é um privilégio, mas lutei por isso para poder servir às pessoas e para que o Governo seja útil à sociedade. É por isto que partilho da política". Quem ouve Cid Gomes falar assim se remete, naturalmente, a discursos de grandes homens públicos da Roma antiga ou das Minas Gerais do tempo de José Maria Alckmin e Tancredo Neves, cujos pensamentos são cartilha teórica para políticos da nova geração, como ele.
Cid Gomes segue ditando seu argumento sobre a possibilidade de replicar no próximo ano a coligação que o levou ao Palácio do Cambeba, de onde saiu para o de Iracema, ocupado pelo seu adversário Lúcio Alcântara, que o antecedeu. Fala, Cid: "Para mim, só faz sentido pensar em qualquer projeto futuro, se eu cumprir bem a delegação que o povo me confiou de uma forma ultra generosa: fui eleito no primeiro turno com mais de 60% dos votos". Ele reclama que a maioria das questões levantadas na entrevista se referiu à economia, à infraestrutura. Por isto mesmo, emenda:
"O Governo tem atribuições na área da segurança pública, da educação, da saúde, do transporte e as pessoas têm grandes expectativas com relação a isso, e tudo isso exige demais. Eu não sou um centralizador, pelo contrário, eu delego. A decisão é compartilhada, mas centralizada", avisa ele antes que o líder de algum partido aliado reclame de algo. Mas, realmente, nunca houve reclamação.
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