O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou ontem visita a três estados em que estão sendo realizadas obras de revitalização e integração do Rio São Francisco. A viagem, que começou nesta quarta-feira em Minas Gerais terminou com uma concentração pública, no sítio "Descanso", município de Mauriti, ao lado dos escritórios do consórcio de empresas formados que está abrindo o canal de transposição do Eixo Norte que parte de Cabrobó, no estado de Pernambuco, num percurso de 4oo km para o Ceará.
O trecho da transposição localizado em Mauriti captará a água de Cabrobó e trará para o Estado, beneficiando, quando concluído, cinco milhões de cearenses do Cariri, bacia do salgado e Jaguaribe e região Metropolitana de Fortaleza. No total, a obra beneficiará 12 milhões de pessoas do Nordeste.Ao descer do helicóptero, o presidente quebrou o protocolo e se dirigiu à multidão que o aguardava, debaixo de um calor de 40 graus, desde as 13 horas. A segurança teve que ser reforçada para proteger o presidente. Depois de cumprimentar e abraçar as pessoas que se postaram nas frente do palanque, Lula subiu no trio elétrico, onde foi aplaudido pela multidão.Falando para cerca de duas mil pessoas, que vieram da maioria dos municípios do Cariri, o presidente disse que "o Brasil só alcançará o seu desenvolvimento integral, quando for corrigido o desequilíbrio social do Nordeste".
Ao apresentar o deputado Ciro Gomes como principal articulador da Transnordestina e da Transposição, quando Ministro de Integração Nacional, Lula destacou a importância sócio-econômica destas duas obras que, segundo afirmou, vão mudar o perfil econômico e social da região. "Essa obra está significando uma oportunidade extraordinária de todos os políticos compreenderem que o Nordeste não quer mais viver de frente de trabalho quando vem a seca", destacou."Teve até um bispo que fez greve de fome para que não fizéssemos essa obra.
Nós rezamos, conversamos até com o papa e, felizmente, estamos chegando ao fim". Ao fazer este comentário, Lula criticou a burocracia imposta pela Lei que atrasou o andamento dos trabalhos.O presidente criticou também aqueles que são contra a transposição. "São os políticos de duas caras que se manifestavam a favor ou contra a transposição de acordo com as conveniências de cada Estado. No Ceará, eles diziam que eram a favor. Na Bahia, se manifestavam contra. E a obra não saía do papel, disse o presidente, complementando: "A execução dessa obra é uma profissão". Eu não tenho pescoço de tanto carregar lata de água na cabeça. Com sete anos de idade, eu ia apanhar água num açude. Era uma água barrenta, misturada com dejetos dos animais", lembrou o presidente.
Lula prometeu voltar ao Ceará no mês de março para acompanhar o andamento das obras. Garantiu que, com a construção de um túnel de 15 quilômetros que levará água para a Paraíba, a obra vai empregar 3.500 empregados. Entre um gole e outro de água mineral, Lula reafirmou a construção da siderúrgica do Ceará e da refinaria.
O prefeito de Mauriti Issac Gomes Júnior, que presenteou o presidente com um violino confeccionado por um luthier de Mauriti, recebeu do presidente uma boa noticia: a liberação de recursos para o saneamento da cidade.
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