O deputado federal Ciro Gomes saudou a possível candidatura da senadora Marina Silva à presidência da República como "boa para o debate". Ciro também afirmou que o quadro eleitoral em formação demonstra que a tese do plebiscito para decidir quem é a favor ou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não se adequará ao fato real brasileiro".As manifestações foram feitas ontem à noite, em Porto Alegre, onde Ciro Gomes recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, outorgada pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.Em conversa com os repórteres que acompanharam a cerimônia no Parque da Harmonia, Ciro Gomes reiterou que quer concorrer à presidência, elogiou também outra possível concorrente, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas destacou que pode haver a necessidade tática de ambos se apresentarem como candidatos no primeiro turno.
O deputado também afirmou que há necessidade de o Brasil formar novos líderes para o período pós-Lula. "O País está encerrando um ciclo da maior liderança popular da história moderna da América Latina e precisa debater não só o projeto para o futuro sob o ponto de vista do desenvolvimento, mas também formar quadros para não ficar dependente de um só governo com exuberante liderança como a que temos como presidente Lula", avaliou.
A portas fechadas
O Partido Verde (PV), de Marina Silva, deu largada ontem ao processo de reformulação ideológica pelo qual a sigla deve passar rumo às eleições de 2010. Reunido a portas fechadas no diretório da legenda em São Paulo, o comitê responsável pela definição do novo programa do partido costura uma agenda de encontros que devem fixar as novas bandeiras a serem defendidas pela sigla.Os dirigentes do PV buscam definir uma identidade em prol do desenvolvimento sustentável e contrária ao fisiologismo, retórica que visa dar envergadura eleitoral à eventual candidata da legenda à sucessão ao Palácio do Planalto, a senadora Marina Silva (AC).
A reunião foi o primeiro encontro oficial do comitê partidário, formalizado pelo PV no dia 30 de agosto em evento que anunciou a filiação da ex-ministra do Meio Ambiente à sigla.A criação de um comitê de reformulação partidária foi condição imposta por Marina Silva para a sua filiação ao Partido Verde. A ex-petista tem conhecimento de que a sigla precisa atualizar as suas bandeiras e encontrar coerência na articulação de apoios nas esferas estadual e federal.Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, o Partido Verde é aliado ao DEM e ao PSDB, partidos que fazem oposição ao governo federal. Contudo, no plano nacional, a sigla faz parte da base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
DN
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