O porteiro João Barreto da Silva Neto, 34 anos, reconheceu no Centro de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, o autor do assassinato do seu pai ocorrido há 20 anos na cidade de Gado Bravo, na Paraíba. A boa memória do porteiro colocou na cadeia no último domingo o ambulante Severino Barbosa Camelo, 46 anos, que possuía um mandado de prisão pelo homicídio de Norberto Barreto da Silva expedido em 2003 pelo juiz Sileno Miguel da Silva, da Vara Única de Aroeiras.
Silva Neto tinha apenas 14 anos quando viu o pai levar um tiro no abdome durante uma discussão com Camelo, no boteco da família. O assassino fugiu logo depois e nunca mais apareceu na cidade. Em 1993, o porteiro saiu da Paraíba em direção ao Rio porque não aguentava mais ver diariamente a família do assassino de seu pai. Hoje, sente-se aliviado e com o dever cumprido. "Da delegacia mesmo liguei para minha mãe", contou, emocionado.
O porteiro já tinha visto Camelo há um ano e meio, em uma feira nordestina em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Mas estava com a mulher, que começou a chorar com medo quando ele disse que chamaria a polícia. Domingo, na feira nordestina do Rio, Silva Neto viu quando o ambulante entrou numa barraca e finalmente chamou a polícia.
O porteiro conta que o crime aconteceu num domingo. Além dele, estavam no bar seu irmão Gilberto e o pai. "O Billzinho (como Camelo era conhecido) já tinha passado a manhã dando tiro na braúna (tipo de árvore) e estava embriagado. Chegou lá e chamou meu irmão e meu pai de frescos, e meu pai foi tirar satisfação. Eles discutiram e o Billzinho deu um tiro na barriga do meu pai. Ele matou um homem doente, porque meu pai tinha câncer", contou.
Camelo, que está detido na 17ª Delegacia de Polícia e deve ser transferido para a Paraíba, confirmou ter atirado no dono do bar mas disse que o fez em legítima defesa. "Ele partiu para cima de mim com uma faca e eu atirei", disse. Camelo negou que estivesse embriagado. "Depois do acontecido, morei 15 anos no Pará, mas em 2002 fui com um advogado à Paraíba tentar resolver esse problema. O advogado me deu um papel e disse que eu não seria preso, então vim para o Rio há cinco anos. Não sei qual o papel, se é habeas corpus, mas minha mulher vai achar e trazer para mim", disse.
Segundo o delegado Túlio Pelozi, o prazo para prescrição desse tipo de crime, que seria 20 anos, recomeçou a contar depois de o mandado de prisão ter sido expedido, em 2003.
FONTE AE
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