Testemunhas que estão do lado de fora da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra abrigado o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmaram que simpatizantes do presidente eleito foram retirados do local por forças de segurança hondurenhas com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.
De acordo com Juan Barahona, líder do Bloco Popular, que reúne simpatizantes de Zelaya, por volta de 5h30 da manhã desta terça-feira (8h30 em Brasília), homens da polícia e do Exército começaram a dispersar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, jatos de água e balas. Segundo ele, várias pessoas teriam ficado feridas.
Outra testemunha, Sigfredo Bustillos, que também se encontrava na região da embaixada, afirmou à BBC Mundo, que, embora a multidão tenha sido dispersada, pequenos grupos ainda permanecem na região onde fica a embaixada brasileira. Segundo Bustillos, os enfrentamentos teriam acabado.
De acordo com o site do jornal hondurenho El Heraldo, o cenário na região da representação brasileira é de "caos e destruição". A publicação ainda afirma que algumas pessoas teriam ficado feridas nos conflitos e há boatos não confirmados de que uma pessoa teria sido morta.
Ainda de acordo com o jornal hondurenho, militares permanecem nas proximidades do local e um veículo munido de alto-falantes está estacionado na frente da embaixada tocando o hino nacional hondurenho de forma ininterrupta.
Protestos
Milhares de simpatizantes de Zelaya começaram a se reunir na última segunda-feira nas proximidades da embaixada brasileira em Tegucigalpa, desafiando o toque de recolher imposto pelo governo interino de Roberto Micheletti.
"Somos cerca de 20 mil pessoas", disse à BBC Mundo Guillermo Amador, um simpatizante de Zelaya que estava em frente à embaixada. "Os golpistas impuseram um estado de sítio para que milhares de pessoas não consigam chegar à capital."
O toque de recolher imposto pelo governo de Micheletti começou às 16h de segunda-feira (19h em Brasília) e termina às 18h desta terça-feira (21h em Brasília).
Micheletti também ordenou o fechamento de todos os aeroportos internacionais do país e pediu ao Brasil que entregue Zelaya às "autoridades competentes", responsabilizando o governo brasileiro por qualquer ato de violência que ocorra.
Assembleia da ONU
Manuel Zelaya conseguiu voltar a Honduras na segunda-feira e se abrigou na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Segundo o chanceler Celso Amorim, Zelaya não se encontra na embaixada na condição de refugiado, já que o governo brasileiro o considera o presidente legítimo de Honduras.
A volta de Zelaya a Honduras acontece em um momento em que dezenas de presidentes de todo o mundo começam a se reunir em Nova York para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Para alguns analistas, o retorno de Zelaya a Honduras neste momento faz parte de uma estratégia para chamar a atenção dos líderes mundiais para a crise hondurenha, que começou com sua deposição em 28 de junho. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
fonte o estadao
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