Não adianta construir açudes se, à jusante deles, não se implementar a agricultura irrigada. Da mesma maneira, não basta uma política de atração de empreendimentos estruturantes, como uma refinaria de petróleo ou uma siderúrgica, se com eles não vierem indústrias petroquímicas e metalmecânicas que aproveitem os insumos gerados.Assinado, Sérgio Machado, economista, ex-senador da República pelo Ceará e atual diretor-presidente da Transpetro, braço de transporte e logística da Petrobras. Machado é, hoje, um dos mais paparicados executivos do Governo Lula. Ele é o responsável pela maior encomenda de navios de que se tem notícia hoje no mundo: 48 embarcações de todos os tipos. Ele é um dos que mais trabalham para que o Ceará tenha, no curto prazo, um estaleiro para construir, inicialmente, oito navios gaseiros para a Petrobras.
A licitação para isso será no fim deste mês. Sérgio Machado cita o exemplo do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em instalação no porto pernambucano de Suape, criado para atender à encomenda de 15 navios feita pela Transpetro. O EAS, diz Machado, atraiu para a área de influência de Suape, fabricantes de navipeças em número crescente, criando milhares de empregos de qualidade. É exatamente isso o que o presidente da Transpetro imagina para o Ceará, cuja economia dará um salto se e quando os projetos estruturantes se instalarem aqui.
E depois?
Comentário que surgiu numa roda empresarial: para dar partida a um estaleiro naval de grande porte, está muito bem a encomenda de oito navios gaseiros a ser feita pela Transpetro. Em seis anos, esses barcos estarão prontos e entregues. O problema é o depois disso. Sugiram perguntas: haverá, daqui a seis anos, novas encomendas? Quem as fará? A economia nacional estará aquecida para fazê-las?
EGIDIO SERPA
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