Granja Moradores da zona rural deste município, cidade com mais de 55 mil habitantes, na região norte do Estado, ainda estão assustados com o tremor de terra ocorrido há cerca de uma semana. Durante a noite de sexta-feira, 7, pelo menos quatro localidades, entornos do distrito de Parazinho, distante 21km da sede, registraram abalos sísmicos. Na tarde da terça-feira e manhã de ontem, um técnico do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) esteve na localidade para tentar localizar o epicentro do terremoto que atingiu 2,5 graus na Escala Richter, e instalar um sismógrafo para que um monitoramento ocorra na área. Além de Parazinho, foi feita visita técnica em Uruoca, Martinópoles e Granja. "Neste primeiro momento, estamos colhendo dados por meio de um questionário que será preenchido pelos moradores. Precisamos saber qual a intensidade do tremor no que diz respeito ao lado estrutural das casas e emocional das pessoas", disse o técnico em sismologia da UFRN, Eduardo Menezes.Ele informou ainda que, para acompanhar melhor esse fenômeno, existe um estudo para instalação de uma base de sismologia na cidade de Morrinhos que deverá ser interligada à Rede Brasileira de Sismologia.
"No Ceará, pelo menos outros três pontos deverão ser interligados com essa rede, uma em Pedra Branca, outra em Brejo Santo e a terceira na região do Jaguaribe, próximo ao Açude Castanhão", disse.Praticamente todos os moradores de Parazinho sentiram o fenômeno, principalmente os que moram na localidade de Folha Larga e no Conjunto Habitacional da Cohab. "Eu moro na localidade de Folha Larga e pude sentir o tremor que veio acompanhado de um barulho forte vindo de dentro do chão", contou o estudante Edmilson Araújo, 17 anos, que se encontrava em casa deitado numa rede. Ele disse ainda que foi a primeira vez que sentiu um abalo e não soube descrever a sensação que teve.Já o agricultor Raimundo Laurindo, 57 anos, contou que sentiu uma frieza vindo do solado do pé e que essa não foi a primeira vez. "Há dois anos tive a mesma sensação de ver a terra balançar, só que desta vez foi mais forte. Primeiro veio o tremor e, em seguida, um barulho forte, que não demorou muito", disse Laurindo.
O assunto do abalo sísmico ganhou dimensão. Quem não sentiu, conhece alguém ou ouviu falar. Tem sido o principal assunto da redondeza. "Eu conheço uma pessoa que sentiu a terra tremer. Se o senhor quiser eu o levo lá", dizia José Carvalho. "Eu não presenciei isso, mas os moradores aqui da Cohab falaram que sentiram os tremores, e um vizinho meu falou o mesmo", comentava o carreteiro José Edmilson Tabosa, 32 anos.
Na rua central de Parazinho, a dona de casa Antônia Rodrigues de Melo, 65 anos, fez questão de mostrar o local onde estava quando a terra tremeu. "Eu estava sentando naquela calçada, ao lado de meu filho, quando ouvi o barulho. Pensei que fosse trovão, em seguida, as pessoas começaram a gritar dizendo que a terra estava tremendo", comentou Antônia.Mas os tremores de terra no norte do Estado são antigos. A aposentada Benedita Chagas França, que mora no bairro da Cohab, contou que, em 1962, viu a terra tremer dezenas de vezes. "O meu filho tinha seis meses. Foi horrível".
Segundo o coordenador do Laboratório de Sismologia da UFRN, Joaquim Ferreira, há relatos de tremores de terra na região de Parazinho desde 1810. "No século passado há registro com maior intensidade no ano de 1942". Sobre o relato da aposentada Benedita Chagas, Ferreira informou que não há registro de tremores neste ano. "Mas isso não quer dizer que não aconteceu", relata. Ele informa que nos últimos dois anos já foram registrados mais de 2 mil abalos sísmicos na região de Sobral.
Mais informaçõesUFRN - Laboratório de Sismologia
Avenida Sem. Salgado Filho, 3000
Natal - RN
fone (84) 3215 3796
fonte WILSON GOMES
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