A ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira confirmou ontem, em depoimento à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, que se encontrou com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no final do ano passado, quando Dilma lhe pediu para agilizar as investigações sobre familiares do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).Ela classificou de incabível o pedido da ministra e disse que está disposta a sentar lado a lado da ministra para apresentar sua versão dos fatos. ´Estou disposta a qualquer coisa que possa ajudar a esclarecer"Lina Vieira disse que seu objetivo não é prejudicar a ministra ou provocar polêmicas públicas, mas sim preservar a sua biografia.
"Quero deixar claro que não houve, não há, nenhuma outra intenção, nem tampouco sentimento de mágoa por haver deixado o comando da Receita Federal. Fui exonerada do cargo sem nenhuma mágoa ou ressentimento com o governo. A natureza do cargo de confiança é essa: a substituição se dá quando o superior acha necessário. Não houve da minha parte problema algum".
Lina Vieira disse que o encontro foi solicitado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que foi à Receita Federal para marcar o encontro. "A Erenice esteve no meu gabinete para marcar esse encontro. E eu estive no gabinete da ministra Dilma. O encontro foi muito rápido. Quando Erenice esteve no meu gabinete, eu perguntei qual era o assunto, ela não soube precisar. Eu fui para o encontro com a ministra sem saber do que seria tratado", afirmou.
Ela disse que o encontro não constou em sua agenda oficial, nem acredita ter sido registrado na agenda da ministra Dilma. "Na minha agenda isso não constou, as agendas já foram levantadas. Mas eu não preciso de agenda para falar a verdade."Ela manteve à versão, na qual Dilma lhe procurou para pedir que intercedesse em favor da família Sarney. "O encontro houve e reitero a entrevista que concedi ao jornal. Não procurei o jornal. Fui procurada por dois repórteres que me pediram que confirmassem apenas aquilo que já sabiam," comentou.Lina Vieira disse que o encontro foi "muito rápido, não durou nem dez minutos", mas compreendeu que o pedido da ministra tinha como objetivo dar celeridade às investigações da família Sarney.
"Eu entendi para concluir logo, para que fosse dar encaminhamento célere", afirmou. Ela também negou ter dado detalhes das investigações a Dilma, uma vez que o processo corria em "segredo de justiça".A ex-secretária disse que esse foi o único encontro que manteve com Dilma no período em que esteve no governo. Ela negou que tenha pretensões políticas ao revelar o encontro. "
fonte DN
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