12 de julho de 2009

Documento desmente versão de José Sarney

O estatuto revela que a fundação está sob as ordens do presidente do Senado, José Sarney, e de sua família




O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse aos senadores em plenário, na quinta-feira, que não tem ´nenhuma responsabilidade administrativa´ na fundação que leva o seu nome, sediada em São Luís. O parlamentar omitiu informações dos colegas. De acordo com matéria publicada ontem pelo jornal ´O Estado de S.Paulo´, o estatuto da Fundação José Sarney contradiz o que ele afirmou em sessão do Senado.
O estatuto revela que, além de ser uma instituição de exaltação à figura de Sarney, a fundação está sob as ordens do parlamentar e de sua família. Em sete páginas, o nome do senador aparece por 12 vezes. O artigo 19 do capítulo 5 enumera cada uma das responsabilidades de Sarney como ´presidente vitalício´ e fundador da entidade. Entre as funções, está a tarefa de ´assumir responsabilidades financeiras´ e o ´poder de veto´ sobre qualquer decisão tomada pelo conselho curador - também presidido pelo senador.
O estatuto diz que ´compete´ a Sarney presidir reuniões do conselho curador, ´orientar´ atividades e representá-la em juízo. Entre os membros do conselho, estão um filho de Sarney, Fernando, um irmão, Ronald Sarney, e Jorge Murad, marido da governadora Roseana Sarney, filha do presidente do Senado. Ex-ministro da Justiça no governo Sarney, Saulo Ramos também integra esse colegiado, assim como o empresário Miguel Ethel, que presidiu a Caixa Econômica na gestão presidencial do senador.
Cabe ao conselho curador nomear os três titulares do conselho fiscal. Compõem esse colegiado Antônio Carlos Lima, Joaquim Campello Marques e Jurandi de Castro Leite. O primeiro, conhecido como ´Pipoca´, é assessor do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), aliado de Sarney.Ramo literárioEmpresas ligadas a Lima receberam mais de R$ 170 mil da fundação de recursos da Petrobras. Os outros dois membros são do ramo literário e amigos do senador. Joaquim Campello é lotado na presidência do Senado e ocupa a vice-presidência do Conselho Editorial da Casa, também presidido por Sarney.
O estatuto da Fundação José Sarney está registrado em um cartório de São Luís e foi anexado à prestação de contas entregue ao Ministério da Cultura, que liberou o projeto patrocinado pela Petrobras. Uma procuração assinada por Sarney dá poderes para José Carlos Sousa e Silva apenas agir como ´presidente em exercício´ na sua ausência.

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