
O senador usou a tribuna para se defender e disse que tem trabalhado para corrigir os problemas da CasaBrasília.
Sem anunciar punições pelos atos secretos editados no Senado nos últimos 14 anos, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), disse, ontem, que todos os 81 senadores são responsáveis pelas medidas aprovadas na instituição - sejam elas sigilosas ou não.
Sarney disse que seria uma ´injustiça´ ser apontado como responsável pelos atos secretos, uma vez que o colegiado da Casa avaliza decisões tomadas pela Mesa Diretora da instituição. ´Todos nós somos responsáveis. Nós aprovamos aqui os atos da Mesa. O Senado no seu conjunto aprovou os atos da Mesa. Temos que corrigir o que está errado. Eu estarei pronto para cumprir tudo o que o Senado decidir. Vou levar em frente, doa a quem doer´.
Ao discursar no plenário do Senado, Sarney fez um histórico da sua biografia política e cobrou mais respeito da mídia e da sociedade em geral pelas acusações que vem enfrentando desde que assumiu o comando da Casa. ´Não tenho nenhum problema na consciência, a não ser ter cumprido o meu dever. É injustiça do País julgar um homem como eu. Nunca neguei um voto que fosse a não ser no sentido de avançarmos na melhoria dos costumes da Casa.
´O último escândalo do Senado envolve cerca de 500 atos secretos feitos ao longo dos últimos 14 anos e que foram usados para nomear, exonerar e aumentar salários de pessoas ligadas ao comando da Casa.Sarney teve duas sobrinhas, além de um neto, nomeado e exonerado do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), por ato secreto.Ele disse que não sabia que Cafeteira tinha empregado seu neto. ´Eu não pedi e não sabia. Ele próprio disse que não me falou´.
DIVERGÊNCIAS O senador Tião Viana (PT-AC) ameaçou, ontem, processar judicialmente o ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia pela suposta afirmação de que ex-integrantes da Mesa Diretora da Casa tinham conhecimento da edição de atos sigilosos.
Viana, que foi presidente interino do Senado, disse que não assinou nenhum ato secreto no período em que esteve na Mesa Diretora. ´Eu nunca assinei qualquer ato secreto nesta Casa. Os atos que assinei foram publicados na condição de vice-presidente. O senhor Agaciel não tem o direito de apontar o dedo para todos. Qualquer coisa nesse sentido, estou disposto a levar aos tribunais para que ele prove qualquer coisa. A mim, ele não pode apontar o dedo´, afirmou.
Em entrevista, Agaciel disse que a Casa está no meio de uma ´guerra´ e que seu nome foi envolvido nas denúncias de irregularidades porque ele é o ´bode expiatório´ da vez. ´Eu estou pagando o preço, é só você olhar. A Mesa Diretora decidiu aumentar o número de cargos, e os gabinetes preencheram essas vagas. O Agaciel é o responsável por isso? O que parece é que é muito bom o pessoal levantar uma questão dessa e virar toda a pauta nacional. Eu não tenho tribuna, não tenho nada para me defender. Eu me sinto perseguido, isso é verdade, porque se você olhar vai ver que é verdade´, afirmou o ex-diretor.
O petista cobrou do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), explicações públicas sobre a crise política que atinge a instituição há mais de três meses. Ele perdeu a disputa pela presidência do Senado para Sarney, que desde a sua posse vem enfrentando uma série de acusações cometidas na instituição.Viana considera a crise ´algo abominável´, uma vez que vem atingindo a imagem de diversas pessoas.
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